Segundo fontes do Imparcial Press, o assunto terá sido abordado à margem da primeira reunião ordinária da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário do partido, realizada na terça-feira, 05, em Luanda, encontro que apreciou e aprovou o relatório de actividades do Secretariado Executivo responsável pela organização do congresso.
As mesmas fontes relatam que o actual líder do MPLA, impedido estatutariamente de concorrer à própria sucessão, terá reagido com visível irritação após ser informado sobre a consolidação da pré-candidatura de Higino Carneiro e o crescente movimento de recolha de assinaturas a seu favor em várias províncias.
Nos bastidores do partido, circula a versão de que João Lourenço, num momento descrito como de “tensão extrema”, terá ordenado em voz alta que “a PGR não pare”, defendendo o avanço acelerado dos processos judiciais contra o antigo governador de Luanda.
Há expectativas de, nos próximos dias, novas diligências conduzidas pela Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), incluindo investigações envolvendo familiares directos (esposa Ana Maria Carneiro e os filhos) do general.
O clima interno no MPLA é descrito por várias fontes como o mais tenso dos últimos anos. O Imparcial Press apurou que aumentam as denúncias de alegadas perseguições contra funcionários públicos e militantes associados à recolha de assinaturas para a candidatura de Higino Carneiro.
“Quem for descoberto a apoiar Higino Carneiro está a ser ameaçado com afastamento e corte salarial”, afirmou uma fonte próxima do processo, acrescentando que “há sinais claros de desespero e perda de controlo por parte da actual liderança”.
As movimentações políticas internas surgem num contexto particularmente sensível para o MPLA, pela primeira vez confrontado com uma sucessão sem a possibilidade de recandidatura do actual líder partidário.
O processo de candidaturas ao congresso decorre entre 28 de Março e 25 de Outubro de 2026. Para concorrer à presidência do MPLA, os candidatos devem reunir pelo menos cinco mil assinaturas de militantes distribuídas pelas 21 províncias do país.
Analistas políticos consideram que a sucessão de João Lourenço poderá transformar-se numa das mais disputadas da história recente do partido no poder, num contexto marcado por tensões internas, processos judiciais e luta pelo controlo da máquina partidária e do Estado.
Higino Carneiro, antigo governador provincial e figura influente nas Forças Armadas Angolanas, tem sido associado nos últimos anos a vários processos investigativos ligados a alegadas irregularidades administrativas e financeiras, embora continue sem condenação judicial transitada em julgado.

