O VI Congresso Ordinário da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA, partido na oposição) está agendado para os dias 23, 24 e 25 de setembro próximo, anunciaram hoje os membros do Comité Central (CC), acusando o presidente do partido, Nimi a Simbi, de “violação sistemática dos estatutos”.
Em conferência de imprensa, em Luanda, em que todos os membros do CC fizeram críticas à liderança de Nimi a Simbi, eleito em 2021 e cujo mandato deve terminar em 30 de setembro próximo, disseram que a convocação do conclave é da competência do plenário do comité e não do presidente.
Um líder “ditador, imperador e violador sistemático” dos estatutos da FNLA, fundado por Holden Roberto em 1954, foram as acusações imputadas a Nimi a Simbi que, segundo os dirigentes, demarca-se regularmente de realizar reuniões do CC e do Bureau Político para se manter no cargo ao arrepio da lei.
Segundo Daniel Afonso, membro do CC, a convocatória do congresso foi uma decisão do órgão central e não pretende afastar o presidente do cargo, mas apenas persuadi-lo a cumprir a lei e os princípios estatutários.
“O presidente deve obedecer aos estatutos que ele tem sistematicamente estado a violar e o Comité Central não admite. Sobre o congresso em preparação, este é da competência do Comité Central, mas o presidente quis inverter estas normas”, disse.
O político insistiu que a deliberação sobre a realização do congresso em setembro próximo decorre do cumprimento dos estatutos da formação política, realçando que Nimi a Simbi deve participar no conclave como delegado.
“O presidente tem mandato decorrente que termina no dia 30 de setembro, ou seja, o presidente é delegado ao congresso, mas não deve violar os estatutos, como tem violado e ir acima do órgão que é seu superior”, realçou, assegurando que a FNLA não tem alas e que o CC tem um órgão autónomo.
Nesta conferência de imprensa, a que assistiu o histórico dirigente da FNLA, Ngola Kabangu, suspenso os órgãos de direção do partido em outubro de 2025 por alegados “ataques verbais e insultos” a Nimi a Simbi, também interveio o eleito coordenador do congresso, Ndonda Nzinga.
Nzinga afirmou que a política se faz com ética, regras, coerência e deontologia estruturada e frisou que o CC não afastou Nimi a Simbi do cargo, mas exige apenas deste o cumprimento escrupuloso das normas.
“Por ser eleito presidente do partido não é ser imperador, ditador e exímio violador dos estatutos. Os factos dizem que o presidente Nimi a Simbi nunca quis convocar reuniões dos órgãos de forma sistemática e deliberada”, apontou.
Afirmou que o presidente não está preparado para o debate político, ara o provimento da democracia interna, tendo considerado que as estruturas da FNLA só funcionam sob pressão dos militantes.
Para Ndonda Nzinga, o atual presidente da FNLA “furta-se” em convocar reuniões do CC e do Bureau Político do partido porque tenciona manter-se no cargo e concorrer nas eleições gerais de 2027 como cabeça de lista.
“Por isso não quer realizar reuniões para arrastar o seu mandato de forma premeditada e sistemática para as eleições, e como os militantes já deram conta desta situação, porque é visível e as provas estão aí, fazem a pressão para prover a democracia interna”, concluiu.
Sob liderança da Nimi a Simbi, a FNLA concorreu nas eleições gerais de 2022 e elegeu apenas dois deputados, facto que tem gerado enormes críticas ao presidente do partido e a consistência da organização para os próximos desafios eleitorais.
A FNLA, partido histórico angolano e um dos signatários do Acordo de Alvor, assinado em 15 de janeiro de 1975, juntamente com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e o Governo português da altura, tem vivido crises internas desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007.

