Terça, 10 de Dezembro de 2019
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Quarta, 27 Novembro 2019 23:19

BP do MPLA atribui cartão vermelho as suas duas equipas econômicas (no executivo e no partido)

Agora mais do que nunca parece que as coisas azedaram mesmo a nível da gestão da economia tanto doméstica do MPLA quanto no seu executivo, na última reunião do Bureau político do MPLA, sexta feira 23 de Novembro de 2019 as coisas chegaram a tal ponto que muitos calaram-se depois das declarações de dois membros do seu Bureau Político, a primeira marcada pela positiva tendo em conta os assuntos aflorados e a s possíveis soluções apontadas, no segundo caso pautou-se pela negativa inclusive com episódios de prepotência e arrogância da parte do interveniente.

A primeira intervenção refere-se ao conceituado Jurista Carlos Feijó que pelo que aflorou com dados comprovativos de quatro anos consecutivos anteriores, demonstrou não só ter mais conhecimento de gestão macro econômica que os actuais membros do BP que no executivo velam por esta matéria, como o caso de Manuel Nunes Júnior que apesar de tudo insiste em defender a gestão danosa da economia principalmente no que concerne as políticas implementadas e defendidas pelo Governador do BNA José de Lima Massano, este sim que tal como o outro ainda nem sequer entenderam (ou assim o pretendem que se mantenha o estado faz coisas), que pelas políticas cambiais actuais e desvalorizações absurdas da nossa moeda o Estado tende a endividar-se mais e por conseguinte gastando mais até mesmo para projectos gizados no âmbito do PIIM, nos quais os empreiteiros ainda nem sequer começaram as tais obras e já tiveram que rever mais de três vezes os custos dos mesmos e em muitos casos por causa da incerteza cambial, tiveram que exacerbar os preços, estes factores determinarão em última instância a não conclusão sequer de muitos projectos conforme era no tempo dos marimbondos ou sem a qualidade necessária fruto dos ajustes orçamentais que terão que ser feitos no decorrer da implementação dos mesmos.

Outro factor relevante relaciona-se com a subida frenética dos preços dos produtos, inclusive aqueles que fazem parte da sexta básica que os grossistas infelizmente têm que alterá-los constantemente por causa da incerteza das desvalorizações constantes do Kwanza , porque ao mesmos importam os produtos com uma taxa de referência e quando nem sequer ainda têm os produtos disponíveis já constatam a alteração das taxas de câmbio que implicam necessariamente o agravamento das taxas aduaneiras, desalfandegamento,  transitários e transporte. Logo estes fatores todos contribuem para os aumentos dos preços no consumidor final.

O Governador do BNA insiste em dizer que o mercado tem excesso de liquidez, facto este que não corresponde a verdade, por causa deste factor por ele alegado, aumentou as reservas obrigatórias dos bancos comerciais junto do BNA, contrariando a estratégia do Presidente da República que solicitou nos seus ultimos discursos uma banca mais activa e devido aos actos praticados por Massano os bancos ficam sem poder de financiar a economia, inclusive alguns como o BPC, BCI, Banco Sol e BFA foram obrigados a fechar agencias bancárias e nalguns casos tiveram que despedir funcionários. Também por causa disto a maior parte deles, excepto o BAI de que José de Lima Massano é acionista, foram forçados a abdicar inclusive dos Títulos e Obrigações do Tesouro para que pudessem agregar a liquidez necessária para o cumprimento das reservas obrigatórias. Estas medidas têm um propósito encoberto que se consubstancia na lavagem de dinheiro dos marimbondos pelo BAI através da compra dos títulos e bilhetes do tesouro por parte destes, evitando assim que os dinheiros que têm guardados nos  não sejam postos em causa no momento de uma possível aferição da proveniência aquando da falada troca da moeda que deverá ocorrer possivelmente em 2020. Estas manobras possibilitam aos marimbondos adquirirem divisas de forma legal visto que os outros bancos pela obrigatoriedade do aumento das reservas obrigatórias ficaram até sem liquidez para acesso aos leilões, como foi o caso em que em três semanas consecutivas os bancos não conseguiram sequer absorver os 20 milhões de euros disponibilizados em leilão, dos quais foram adquiridos apenas 5 milhões na primeira semana. Estas divisas são e quase sempre adquiridas pelo BAI, sendo o único banco na praça que teve lucros de mais de 101 mil milhões de kwanzas somente até Outubro de 2019.

Enganou e ludibriou José de Lima Massano também ao PR, o povo angolano, os empresários, empreendedores, agricultores e as demais instituiçoes, dizendo que poderiam levantar normalmente as divisas nos bancos comerciais e que se encontrassem entraves poderiam reclamar no BNA, quando de antemão sabia que nem sequer liquidez os mesmos possuiam em kwanzas sequer. Rafael Marques e Luaty Beirão já apresentaram provas e a ultima accçaõ foi inclusive submetida por Luaty a PGR, sobre as falcatruas e sobrefaturação de Massano no caso do Museu da Moeda, caso BESA, transferenciais ilegais de divisas para o exterior e inclusive o facto de Massano ter comprado recentemente e em tempo de crise uma casa em Cascais (Portugal) no valor de 3 milhões de Euros. Ademais, como receava a sua demissão, Massano trouxe o Governador do Banco de Portugal que fez declarações a imprensa tentando branquear a sua imagem.

Se a Nação exigiu a demissão de Rui Ferreira o que deve ser feito em relação a Manuel Nunes Júnior e José de Lima Massano?

Carlos Feijó aconselhou por fim (e foi aplaudido pelos seus pares),a  Manuel Nunes Júnior e José de Lima Massano a pedirem demissão, porque aparentemente estão em contramão com o que o MPLA e o seu Presidente querem para o povo angolano.

No segundo acto o principal protagonista foi Mário António Sequeira de Carvalho, PCA da GEFI, o Grupo empresarial do MPLA. Em frente ao Presidente do MPLA João Lourenço, entre bravatas e numa total arrogância, disse aos outros membros do Secretariado do Bureau Político do seu Partido e seus pares que cada um deveria olhar apenas para os seus departamentos e seu umbigo, porque ele não tem que prestar contas a ninguém e nem ao Partido mas somente ao seu Presidente. Contas estas que não são auditadas sequer desde o falecimento no ano de 2015 de Maria Mambo Café, que era na altura a Presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Com este tipo de comportamento arrogante, Mário António pretende afastar do conhecimento do seu Partido o modelo organizacional e de gestão de uma GEFI falida e que precisa urgentemente de uma refundação ou restruturação, com isto também afastar a Vice Presidente do MPLA Lúisa Damião e o Secretário Geral Paulo Pombolo, da realidade que vive e a saúde financeira real da GEFI.

“Durante mais de 20 anos a frente da GEFI o que se viu foi apenas um descalabro como exemplo temos o Jumbo nem sequer uma outra lojeca abriu como forma de expansão e que existe a muitos mais anos que o Kero ou Candando, fora a isto, para além de não prestar contas ao Partido, o mesmo criou empresas paralelas e de prestação de serviços as empresas participadas pelo partido, tornando-se assim concorrência directa a própria GEFI” (disse um membro do Secretariado do BP do MPLA).

Mário António está mais preocupado e somente com o seu bem estar, que se consubstancia no benefício nos chorudos salários e propinas que recebe regularmente das empresas (algumas até moribundas), ameaçando os gestores que assim não procedam de coloca-los no olho da rua.

Tratando-se de indicações ou nomeações de conselhos de administração de empresas do Grupo GEFI, o principal critério utilizado é o de imposição dos seus afectos, retirando gestores de renome com provas dadas de boa gestão somente porque não aceitavam dar propinas sabendo que se o fizessem colocariam em risco não somente a gestão e rentabilidade das empresas, assim como até em última instância o pagamento dos salários dos próprios funcionários.

As atitudes supracitadas da parte do General Mário António deixaram agastados os seus colegas do BP do MPLA, tanto é que eles exigem uma Assembleia Geral da GEFI o mais urgente possível para que se coloque cobro ao estado actual, visto que se assim prevalecer não se sabe sequer com quanto dinheiro contar ou onde retirar para financiar as campanhas para as eleições autárquicas como sendo o desafio a enfrentar a breve trecho. Querem também que se imprima uma reviravolta que culminaria com o afastamento de Mário António como PCA da GEFI, bem como todos os outros membros do actual Conselho de Administração que até hoje não agregaram nenhum valor a mais de 20 anos. Para melhor aferir e relatar com factos e argumentos imbativeis, Luísa Damião, Paulo Pombolo e Salomão Xirimbimbi, decidiram visitar todos os empreendimentos do MPLA, começando pelo Jumbo que está sob o risco de ver os trabalhadores a entrarem em greve ainda a proxima semana.

Outro acto não menos importante, foi o facto de ter afastado Luther Rescova na altura Secretário Nacional da JMPLA da gestão do prédio da JOTA na Maianga, passando a gestão e obras de reabilitação (que a mais de cinco anos não termina), para a empresa HAGN de que foi PCA o actual Embaixador de Angola na Turquia José Patrício, que foi obrigado a abandonar o cargo pela falta de visão, sentido de gestão e prepotência de Mário António.

O General Mário António comporta-se de forma arrogante em várias ocasiões mesmo nas reuniões do BP do MPLA, por abusa da amizade do Presidente João Lourenço de quem se diz muito próximo desde os tempos de Comissários Políticos, considerando-se já pelas suas acções e afirmações como o Kopelipa do João Lourenço.

Por Alexandre Manuel Luís.

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