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Quarta, 24 Julho 2019 23:34

N´Zau Puna abandondou a UNITA por se negar assumir as mortes de Wilson dos Santos e Tito Tchingunji

Jonas Savimbi queria ver N´Zau Puna, na altura secretário-geral da UNITA, assumir a autoria das mortes de Wilson dos Santos e Tito Tchingunji, então secretário-geral adjunto do partido e secretário para a informação, respectivamente, por “alta traição à UNITA” amando do ministro do Interior, Santana André Pitra “Petroff”, em 1991.

Puna, porém, negou-se a prestar tal papel, deixando Jonas Savimbi enfurecido, que passou a humilhá-lo em hasta pública durante os comícios.

Diante deste ambiente, Puna encontrou a fuga da UNITA como escapatória, com medo de ter o mesmo destino que o de Wilson e Tito, pois Jonas Savimbi era “implacável. Qualquer decisão sua que não fosse acatada nos termos que ele a gizava, era certo sabido que o prevaricador ficava na mira. Mesmo que não o dissesse, os dias começavam a ser contados para quem lhe desobedecesse”.

A história é contada em autobiografia de N´Zau Puna, agora deputado do MPLA, onde o autor afirma haver “muita mentira” na história política contada durante anos. Para o autor, a obra apresenta-se como “dados disponíveis aos historiadores amantes da verdade” para pesquisas. “Escrevi esta obra agora que estou em vida, para permitir que quem não estiver de acordo responda-a ou faça uma crítica”, afirma, considerando “perda de tempo” fazer críticas depois de morto: “Criticar aquele que já não pode responder, é cobardia”.

O deputado e nacionalista angolano Miguel N'Zau Puna considera que a História do país tem sido deturpada por causa de fins políticos.

"Dói muito para quem participou, na primeira pessoa, na luta de libertação, não como um figurino, mas como um combatente destacado da linha da frente, envolvido na tomada de decisões e na condução da luta política e militar, assistir impavidamente a um processo de deturpação da História do país, com mentiras bem montadas e bem calculadas para fins políticos", afirmou N'Zau Puna, sem entretanto avançar a que “mentiras” se referia.

Durante a cerimónia, que contou com a presença de deputados de diferentes forças políticas, o autor afirmou que foi por isso que entendeu que, se nada fizesse, teria muita pena "porque estaria a privar a geração actual de conhecer a verdade ou, pelo menos, parte da verdade indispensável para a compreensão da verdade no seu todo".

O ex-guerrilheiro considerou-se, com efeito, testemunha e agente da História política contemporânea de Angola, onde, na sua óptica, os historiadores profissionais são chamados a investigar e escrever.

Reconhece que, como nacionalista, tem uma responsabilidade importante na construção de uma história credível do país - sem deturpações - que possam espelhar às novas gerações o quanto custou a conquista da liberdade e da democracia nacional. Sobre a obra, N’Zau Puna disse que acaba por ser um livro de memórias de um homem que muito cedo se viu metido em sarilhos, pois com a independência do Congo e com o fervilhar do movimento independentista em África, as autoridades coloniais portuguesas afinaram a máquina de repressão política, através da PIDE-DGS, a então polícia política.

O deputado disse ter sido nessa altura que abandonou tudo e fugiu para o Congo. "Não tinha consciência que aquela fuga iria marcar uma grande viragem na minha vida e que aquela viagem sem retorno conduzir-me-ia a tantas outras viagens dentro e fora do continente", frisou.

Miguel N'Zau Puna afirmou que foi para a luta porque acreditava naquilo que lhe foi incutido: "era preciso emancipar os povos africanos e resgatar a nossa identidade ofuscada pelo colonialismo".

O nacionalista diz fazer parte da geração de homens e mulheres que sacrificou toda a juventude para que hoje os angolanos tivessem uma pátria, um hino e uma bandeira. O autor espera que o livro seja um instrumento de consulta para os estudiosos das dinâmicas políticas em Angola e possa ter alguma utilidade para todos aqueles que pretendem aprofundar os conhecimentos sobre a História Contemporânea de Angola.

Dedicada aos familiares e combatentes da guerra de libertação nacional, e editada pela portuguesa Guerra e Paz, intitula-se “Mal Me Querem: história de Angola na voz de quem a fez. Um testemunho sem meias-palavras. “Mal Me Quer” é uma mensagem aos que gostam do seu trabalho mas não gosta de si. Com passagem pelos três movimentos de libertação nacional, o nacionalista N´Zau Puna auto-intitula-se “habilitado para falar da luta de libertação nacional”. VANGUARDA/ JA

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