Terça, 22 de Outubro de 2019
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Domingo, 23 Junho 2019 09:26

Jorge Valentim critica UNITA por ignorar ex-PR na inumação de Savimbi

O antigo dirigente da UNITA Jorge Alicerces Valentim criticou a actual direcção desta força política por não ter reconhecido a magnanimidade do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, por ter autorizado a exumação dos restos mortais de Jonas Savimbi, durante o funeral em Lopitanga

Jonas Savimbi morreu em combate a 22 de Fevereiro de 2002, na comuna do Lucusse, na província do Moxico, e foi enterrado no dia 1 de Junho na aldeia de Lopitanga, no Andulo, num processo concluido pelo actual Chefe de Estado, João Lourenço.

Em entrevista a OPAÍS à margem do VII Congresso extraordinário do MPLA, realizado no dia 15 deste mês, Jorge Valentim afirmou que o enterro condigno a Jonas Savimbi pecou por não ter citado José Eduardo dos Santos, que permitiu que o seu corpo fosse preservado no Cemitério Municipal do Luena, no Moxico.

Disse que ele e os políticos Lucas Ngonda, da FNLA, e Alberto Neto, do PDA, foram os únicos que pediram ao antigo Presidente da República para que o corpo do ex-líder da UNITA não fosse vandalizado e queimado, como pretendiam algumas pessoas.

“Quando morreu o Doutor Savimbi, nenhum dirigente da UNITA abriu a sua boca. Fomos nós que fizemos o apelo ao presidente Dos Santos para proteger o corpo, porque a população pedia que fosse queimado”, desabafou o político.

Segundo Valentim, a falta deste reconhecimento fez com que ele próprio também não se fizesse presente na cerimónia fúnebre de Savimbi, que foi enterrado na mesma ao lado dos seus progenitores, Loth Malheiro e Helena Mbundu.

“Quem defendeu o Lopitanga para ser um sítio especial fui eu, e o Doutor Savimbi mandatou-me para incluir este aspecto no Protocolo de Lusaka. Estes que estão ali a falar nunca fizeram nada. Gratidão, gratidão deveria ser também a quem protegeu o corpo de Savimbi após à sua morte”, sublinhou o político.

Jorge Valentim, um dos principais delfins e dos poucos que mais privaram com Jonas Savimbi, desde o tempo de estudantes em Portugal, nas matas e nas cidades, deplorou o facto de não ter sido convidado pela actual direcção do partido do “galo negro”, como foi o outro histórico e co-fundador da UNITA, Miguel Nzau Puna, hoje militante do MPLA.

Expulsão

Jorge Valentim foi expulso das fileiras da UNITA em 2006, sob acusação de expiar para o MPLA, partido a que mais tarde viria a aderir.

Durante a sua militância de 40 anos ininterruptos, Jorge Valentim ocupou, entre outras funções na UNITA, a de secretário para a Informação.

No Governo de Unidade e Reconciliação Nacional(GURN) fez parte do primeiro grupo de deputados da UNITA enviados a Luanda para tomar posse na Assembleia Nacional, em 1997, tendo depois ido para o Governo, onde foi ministro de Hotelaria e Turismo.

UNITA minimiza Valentim

Reagindo às declarações de Jorge Valentim, o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, começou por explicar que os óbitos em África não carecem de autorização, podendo, na altura, o político manifestar a sua profunda solidariedade, tal como sucedeu com N’zau Puna.

Sakala disse ainda que a UNITA agradeceu o gesto de todas as individualidades singulares e colectivas que contribuiram directa ou indirectamente para que o enterro de Jonas Savimbi fosse possível ao lado dos seus progenitores, como era seu desejo.

“Penso que estas acusações do Doutor Jorge Valentim são gratuitas e só acontecem porque ele não acompanhou directamente este processo”, disse Alcides Sakala. OPAIS

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