Segunda, 06 de Julho de 2020
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Terça, 30 Junho 2020 23:55

Covid – 19: É imperativo anular o ano letivo

A pandemia de covid – 19 concerne uma doença que começou a manifestar – se oficialmente em Angola em Março de 2020. Esta doença afecta basicamente o aparelho respiratório, e é causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS – CoV – 2).

Desde o ponto de vista global, foi em Wuhan, na província de Hubei, República Popular da China, em 1 de dezembro de 2019 onde a doença terá iniciado.  Mas rapidamente propagou – se para o mundo. O clima frio, ficou completamente evidenciado como um dos mecanismos de difusão da doença.

Os coronavírus são um grupo de vírus de genoma de RNA simples de sentido positivo. Foi em 1960 que se tornaram conhecidos. Pertencem à subfamília taxonómica Orthocoronavirinae da família coronaviridae, da ordem Nidovirales.

A transmissão do vírus efectua – se por meio de tosse ou espirro, contacto de pessoa próxima, como toque ou aperto de mão, contacto com objectos ou superfícies contaminadas, contacto com mucosas ou orifícios anatómicos (boca, nariz, olhos).

A inexistência de recursos sanitários para fazer presente nas escolas as medidas de biossegurança  em Luanda e pelo País, fora, poderá transformar Luanda, num covil de doentes afectados por covid – 19, caso o Estado insista em reiniciar o ano lectivo em Julho. Sabemos que, Julho é o mês de mais frio, e o frio, é um denominador comum da propagação da covid – 19. As escolas de Luanda não têm nenhuma condição de higiene ambiental, nem sequer de biossegurança, para salvaguardar a saúde dos estudantes.

Há carência de tudo nas escolas. Há vezes que nem sequer giz existe, como pode haver água corrente e sabão para lavar as mãos? Ou álcool gel distribuído em todas as salas, e em todos os corredores das escolas para os estudantes fazerem o uso diário. Não falemos das constantes carências de máscaras faciais. Há escola em que, as suas casas de banho foram completamente abandonadas, dada a carência sanitária. As fossas obstruídas, com pias pior que uma pocilga expulsam todos os estudantes deste lugar, dado o faro nauseabundo que corre desses lugares.

Angola não tem condições de saúde pública para dar início ao ano lectivo em 2020, face ao drama da covid – 19 que perturba a saúde pública no País. Na verdade, o reinício do ano lectivo, pode ser um meio real de propagação da covid – 19 para os estudantes em Luanda. Não obstante, em cada sala de aulas, sentam – se perto de 100 à 150 alunos. Havendo salas onde os alunos sentam em média três ou quatro estudantes por carteiras.

Há quem sem lugar por onde sentar – se, resta – lhe apenas a primazia de ficar apenas em pé durante a aula toda, ou senta – se, numa cadeira de plástico ou de madeira, sem encosto algum. As dramáticas condições ambientais das escolas são um meio de poluição ambiental, que não veicula saúde neste meio, razão pela qual, se o ano lectivo reiniciar, face à esse quadro tão mórbido que afecta as escolas em Angola, não há dúvidas que tão rapidamente variados estudantes serão contaminados pela covid – 19 sem perceberem que foram contaminados, dando lugar à um clima de instabilidade sanitária nas escolas, onde muitas das quais serão novamente forçadas a encerrar. Dada a natureza das circunstâncias, é mais conveniente anular o ano lectivo que reabrir o ano lectivo.  

Já ficou completamente provado que o clima ou a temperatura afectam a propagação da covid – 19. O coronavírus tem uma propagação maior durante épocas frias. Isso significa que, a covid – 19 irá acelerar a sua forma de propagação ao longo do mês de julho face à queda abrupta da temperatura ambiental, o frio vai acelerar a sua disseminação.

Face a tão elevada carência sanitária que assola as escolas em Luanda, e por Luanda fora, é imperativo que se anule o ano lectivo. Não há como começar o ano lectivo com o drama da covid – 19 à conquistar à cada dia que se passa mais lugares em todos os cantos de Luanda. A propagação da doença não irá parar tão cedo, e seria imperativo anular o ano lectivo face a carência profunda de recursos sanitários ao nível das escolas de Luanda e do País fora.

Não se percebe como o Estado insiste em reiniciar o ano lectivo com escolas abandonadas pela higiene que ficaram apenas moscas à tomarem a conta das mesmas. A falta de higiene pode ser um dos recursos fundamentais para que as escolas se tenham de transformar em veículos fundamentais para a propagação mais rápida da doença.

Bem – haja!

Por Amadeu Baltazar Rafael

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