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Terça, 07 Julho 2026 23:51

Higino Carneiro homenageia José Eduardo dos Santos no quarto aniversário da sua morte

O general na reforma Higino Carneiro, pré-candidato à presidência do MPLA, assinalou esta terça-feira, 8 de Julho, o quarto aniversário da morte do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, através de uma mensagem publicada na sua página oficial, acompanhada por uma fotografia do antigo Chefe de Estado.

Na publicação, Higino Carneiro começa por agradecer a Deus pelo dom da vida e pelas oportunidades que lhe foram concedidas ao longo da sua trajectória de serviço ao país.

"Hoje, 8 de Julho, elevo a minha gratidão a Deus Todo-Poderoso pelo dom da vida e pelas oportunidades que me tem concedido para servir Angola e os angolanos", escreveu.

O antigo governador destacou ainda o simbolismo da data, referindo que coincide com o quarto aniversário do falecimento de José Eduardo dos Santos, a quem descreveu como seu mentor político e uma das figuras mais marcantes da história contemporânea de Angola.

Na mensagem, Higino Carneiro prestou homenagem ao antigo Presidente, qualificando-o como o "Arquitecto da Paz e da Reconciliação Nacional". Sublinhou que a visão, liderança e dedicação de José Eduardo dos Santos à causa nacional deixaram um legado duradouro, que continua a inspirar todos os que defendem uma Angola unida, estável e próspera.

"O seu legado permanece como uma referência para as presentes e futuras gerações", destacou o pré-candidato à liderança do MPLA, acrescentando o desejo de que a memória do antigo estadista continue viva e que os valores por si defendidos iluminem o futuro do país.

Higino Carneiro concluiu a sua mensagem com uma oração pela nação, afirmando: "Que Deus abençoe Angola e o seu povo", terminando a publicação com a expressão bíblica "Ebenezer".

A mensagem surge num momento de crescente movimentação política no seio do MPLA, numa altura em que o partido se prepara para o seu IX Congresso Ordinário, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda. Sob o lema "MPLA, Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro", o conclave deverá reunir cerca de 3.000 delegados e terá como principal objectivo definir as orientações estratégicas do partido para as eleições gerais de 2027, além de formalizar a sua liderança.

Segundo analistas políticos em Luanda, o MPLA continua a evidenciar diferentes sensibilidades internas, frequentemente identificadas como duas correntes distintas. De um lado encontram-se os chamados "eduardistas", ligados ao legado político de José Eduardo dos Santos e nostálgicos do modelo de governação que marcou as quase quatro décadas do seu consulado. Do outro, os denominados "lourencistas", que apoiam a liderança do actual Presidente da República, João Lourenço, e defendem a continuidade das reformas políticas, económicas e do combate à corrupção iniciados desde 2017.

O debate entre estas correntes centra-se sobretudo na forma como decorreu a transição política dentro do partido. Enquanto os apoiantes de João Lourenço sustentam que as reformas visam reforçar a transparência institucional e combater práticas de corrupção, sectores próximos da anterior liderança entendem que vários processos judiciais tiveram um carácter selectivo.

Entre os críticos dessa estratégia prevalece a ideia de que a justiça incidiu sobretudo sobre familiares, antigos colaboradores e figuras próximas de José Eduardo dos Santos, interpretação que classificam como uma "guerra interna" ou uma alegada perseguição política destinada a consolidar uma nova elite dirigente dentro do MPLA. Neste contexto, alguns observadores incluem também o nome de Higino Carneiro entre as figuras que consideram terem sido politicamente afectadas durante este período.

A homenagem pública prestada por Higino Carneiro ao antigo Chefe de Estado é, por isso, interpretada por alguns analistas como um gesto de reafirmação da sua proximidade ao legado de José Eduardo dos Santos, numa fase em que o partido se aproxima de um congresso considerado decisivo para o futuro da sua liderança e para a preparação das eleições gerais de 2027.

Apesar das diferentes leituras sobre as dinâmicas internas do MPLA, o congresso de Dezembro deverá constituir um momento determinante para aferir o equilíbrio de forças entre as várias sensibilidades do partido e definir o rumo político da organização nos próximos anos.

 

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