"Estamos a assistir ao surgimento de novos fenómenos que não devem ser legitimados e chancelados pelo Conselho de Paz e Segurança da União Africana", afirmou no seu discurso na sessão de abertura da 39.ª cimeira desta organização, que decorre em Adis Abeba, capital da Etiópia.
"Quando falamos da necessidade do restabelecimento da ordem constitucional após a tomada do poder por meios inconstitucionais, não estamos a dizer que fica restabelecida desde que os autores do golpe de Estado realizem eleições e se façam eleger", alertou João Lourenço, enfatizando que isso é uma forma de branquear um ato ilegitimo.
O Presidente de Angola defendeu que "isto não pode tornar-se em um novo normal na forma de se alcançar o poder, porque seria uma forma indireta de encorajar a realização de golpes de Estado, para a seguir se branquear e ficar tudo bem".
João Lourenço fez estas afirmações depois de falar das ações da presidência angolana da UA, que terminou hoje, relativas à promoção da paz, da segurança e da estabilidade em África, em que referiu, especificamente, "mudanças inconstitucionais de governo com dois novos casos nomeadamente o de Madagáscar e o da Guiné-Bissau".
"Empreendemos um esforço coletivo para encontrarmos soluções rápidas, sólidas e eficazes para pôr fim aos prolongados conflitos que desafiam a estabilidade do continente, ao terrorismo e o extremismo violento, às mudanças inconstitucionalidade de governo com dois novos casos nomeadamente o de Madagáscar e da Guiné-Bissau, à pirataria marítima e outras crises institucionais que fragilizam a segurança em África", disse.
A Guiné-Bissau está suspensa da UA após o golpe de Estado militar de novembro passado, tendo entretanto convocado eleições para ainda este ano.
A Guiné-Conacry e o Gabão regressaram recentemente à organização africana, após processos de transição apoiados pela Comissão.

