O caso ocorreu na manhã de 11 de Agosto de 2026, por volta das 07h40, no bairro Boa-Fé, município dos Mulenvos, em Luanda.
Segundo o porta-voz do SIC-Luanda, Fernando Carvalho, as investigações preliminares indicam que uma das envolvidas conduziu as duas mulheres à residência da suspeita, de 57 anos, para receberem tratamento tradicional destinado a combater a erisipela, uma infecção da pele popularmente conhecida como “tala”.
Durante o procedimento, a curandeira terá preparado uma mistura à base de raízes, sob a forma de um líquido de cor acastanhada, que foi administrado às duas mulheres para ingestão.
Pouco depois de consumirem a substância, Isabel Pedro Correia, de 77 anos, e Esperança Sebastião Francisco, de 65 anos, ambas solteiras, começaram a apresentar sinais de indisposição e complicações de saúde.
As duas mulheres foram socorridas e transportadas para o Hospital dos Cajueiros, onde acabaram por morrer.
Na sequência das mortes, a mulher de 57 anos foi detida pelo SIC e deverá responder pelo crime de duplo homicídio por negligência, segundo as autoridades.
No entanto, o Serviço de Investigação Criminal ainda procura determinar a relação exacta entre a substância administrada durante o tratamento e a morte das duas vítimas.
As autoridades pretendem identificar a composição do líquido ingerido pelas mulheres, esclarecer em que circunstâncias foi preparado e administrado e apurar eventuais responsabilidades criminais de todos os envolvidos.
O SIC prossegue as investigações enquanto a suspeita permanece à disposição das autoridades competentes.
O caso volta a levantar questões sobre os riscos associados à utilização de tratamentos tradicionais sem acompanhamento clínico, sobretudo quando são administradas substâncias cuja composição, concentração e possíveis efeitos no organismo não estão devidamente identificados.
Até ao esclarecimento das causas das mortes, as autoridades mantêm em aberto a investigação para determinar se a substância ingerida pelas vítimas esteve directamente relacionada com o desfecho fatal.

