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UNITA: o novo ciclo político angolano exige uma nova liderança

UNITA: o novo ciclo político angolano exige uma nova liderança

A continuidade de Samakuva seria um precioso seguro de vida para José Eduardo dos Santos nas eleições gerais de 2017, caso este decidisse voltar a candidatar-se

Por Paulo Gorjão 

Em dezembro de 2015 decorreu o xii Congresso da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), no qual Isaías Samakuva foi reeleito presidente do “Galo Negro” pela quarta vez. Na altura critiquei o facto de Samakuva liderar a UNITA ininterruptamente desde 2003 e afirmei que não havia nenhuma razão para acreditar que, em 2017, a UNITA iria ter um desempenho político substancialmente diferente daquele que tivera em 2008 e 2012.

Nesse mesmo artigo referi que, com a reeleição de Samakuva, a UNITA dava sinais de ser incapaz de se renovar ao mais alto nível, pelo que continuaria, no essencial, a ser incapaz de agregar à sua volta os descontentes com a governação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). De certo modo, e apesar do ciclo económico adverso que na altura começava a desenhar-se, a continuidade de Samakuva – e o que ela representava em termos de ausência de alternativas e de renovação da UNITA – seria, em parte, um precioso seguro de vida para José Eduardo dos Santos nas eleições gerais de 2017, caso decidisse voltar a candidatar-se. O texto terminava destacando que, no contexto político que começava a definir-se na altura, a UNITA e a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) dificilmente se afiguravam como parte integrante de qualquer solução política alternativa ao MPLA.

Em retrospetiva, não poderia ter sido mais certeiro. Como era previsível, Samakuva voltou a perder as eleições gerais deste ano, ainda que a UNITA tenha obtido um resultado considerado histórico por diversos observadores – no fundo, histórico porque nunca antes o Galo Negro conquistara 51 deputados; em 2012 alcançara 32 lugares e, em 2008, apenas 16. Porém, a verdade nua e crua é que Samakuva, como se antevira, apesar dos ganhos alcançados, foi incapaz de federar de forma relevante a contestação política. Mesmo beneficiando de um contexto económico difícil, de um candidato novo a concorrer pelo MPLA e eleitoralmente por testar, a UNITA apenas de forma parcial tirou partido da janela de oportunidade de que beneficiou. No fundo, ponderadas devidamente as variáveis, a verdade é que o resultado histórico acabou por não ser tão histórico quanto isso.

Naturalmente, não se sabe como irá decorrer o mandato do presidente João Lourenço, que apenas agora está a começar, e por isso não é muito sensato elaborar grandes prognósticos sobre as eleições gerais angolanas de 2022. Em todo o caso, é razoável antever que a afirmação do novo presidente no panorama político angolano dependerá, no essencial, do modo como se fará o exercício do seu mandato presidencial e da sua capacidade de afirmação no seio do MPLA.

Perante este quadro estratégico emergente, compreende-se a decisão de Samakuva, anunciada no final de setembro, de colocar o seu lugar à disposição – o seu mandato à frente da UNITA termina apenas em 2019 – e o facto de ter manifestado o desejo de abandonar a liderança do Galo Negro. Não será certamente à quarta tentativa que Samakuva fará aquilo que não conseguiu fazer nas três anteriores eleições angolanas, i.e. derrotar o MPLA.

Será, portanto, do mais elementar bom senso que na próxima sessão ordinária da comissão política do Galo Negro, que deverá ter lugar no próximo mês, o partido comece a preparar o futuro, aliás como tem vindo a fazer o MPLA. Dispensam-se, por isso, os apelos a vagas de fundo ou tentativas no sentido de fazer com que Samakuva reconsidere a sua decisão. Chegou a hora de a UNITA fechar este longo ciclo político – o que, aliás, já deveria ter ocorrido em 2015 – e abrir por fim um novo capítulo na sua história sob uma nova liderança. A não ser, claro, que o Galo Negro esteja confortável na sua condição de eterno segundo maior partido no parlamento angolano. Se assim é, as minhas desculpas por pensar que as ambições políticas eram outras. (Jornal I)

Investigador, Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS)

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