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Justiça espanhola investiga suborno pago a ex-vice-ministro do Comércio angolano

Manuel Cruz Neto e o Presidente, João Lourenço Manuel Cruz Neto e o Presidente, João Lourenço

A Justiça espanhola suspeita que uma empresa pública do país subornou um ex-vice-ministro do Comércio de Angola com "caixas de bolachas cheias de notas" para conseguir o contrato para construir um mercado em Luanda, noticiou hoje o diário El Mundo.

Segundo um sumário da "Operação Trajano" da procuradoria espanhola anti-corrupção, a empresa pública Mercasa subornou Manuel da Cruz Neto para ganhar um contrato de 533 milhões de euros para construir um grande mercado na capital angolana.

As autoridades angolanas "conhecem o episódio dos dólares norte-americanos entregues em Luanda e recolhidos em seguida em Lisboa, as caixas de bolachas cheias de notas entregues a Cruz Neto [...] no porta-bagagem do seu carro...", de acordo com uma carta enviada ao presidente de Mercasa em 2010 e agora citada no processo.

Manuel da Cruz Neto terá assinado o contrato quando era vice-ministro do Comércio, tendo em seguida ocupado o cargo de Vice-ministro das Finanças.

Mais tarde foi ministro e chefe da Casa Civil da Presidência da República, cargo que ocupou até às eleições gerais de 23 de agosto.

O El Mundo já tinha noticiado no domingo passado que a Justiça espanhola descobriu alegados pagamentos de milhões de euros de uma empresa pública espanhola a uma fundação do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Segundo a notícia, a procuradoria anti-corrupção espanhola investiga, no âmbito do mesmo caso, uma comissão paga pela empresa Mercasa à fundação com o nome de José Eduardo dos Santos que pode ter chegado aos dez milhões de euros num negócio de construção de um mercado de abastecimento na capital angolana.

O desvio de fundos terá sido feito através de um intermediário que está em Angola, Guilherme Taveira Pinto, cuja casa, situada em Linda-a-Velha, Oeiras, foi alvo de buscas em 2014 no âmbito de outro caso de venda de armas de uma empresa espanhola a Angola, em que também foi intermediário e na qual desapareceram 100 milhões de euros.

O suspeito, que está em Angola em fuga de um mandado internacional de detenção, terá remetido o dinheiro que recebeu à fundação, descobriram os investigadores, que analisaram também contas de correio eletrónico.

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