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Críticos despertaram consciências no país do medo

Críticos despertaram consciências no país do medo

O tempo expôs a verdade e com isso deu razão a aqueles que ousaram criticar o regime sem medo e sem cobertura de ninguém. Agora todos percebem que a verdade esteve sempre muito longe dos autores e consumadores do autoritarismo despótico do regime. O autismo politico-ideológico utilizado nos 43 anos de poder do MPLA, dificultou sempre o desenvolvimento da comunicação e das relações entre governantes e governados. A formula altista de governar apenas serve os interesses e objectivos das elites constituídas em poder politico e económico-financeiro, para deste modo oprimir a maioria dos cidadãos.

Por Raúl Diniz

Esse modo de governar selou o fim de José Eduardo dos Santos e acólitos, e tornou-se no fardo insolúvel da precária impopularidade de que JES e o MPLA hoje gozam. Por assim ser, desejo muita sorte ao meu camarada João Lourenço nessa caminhada difícil, mas, não impossível de se realizar.

O importante hoje é retirar o exagerado protagonismo das elites concentradas em torno do MPLA, e assim dar espaço a sociedade civil organizada de participar activamente na administração do estado com finalidade de esvaziar e/ou diminuir a concentração excessiva de poder num só partido, ou numa única pessoa. Desse modo evitaremos a repetição de um partido e/ou de uma só pessoa deter monopólio do poder como acontece até aqui.

Os críticos do regime nunca foram os maus da fita, sempre tiveram razão e continuam a cumprir o papel de ajudar a despertar cidadãos adormecidos no sono do tempo.

 Aos críticos compete-lhes levar a informação detalhada do mal-estar publico, sobretudo quando regime é opressor e está cercado de governantes cleptomaníacos e egocêntricos, aí a verdade terá que fluir e explodir da garganta dos aflitos críticos. Em Angola, todos entendem que a verdade se encerra na mentira vergonhosa escondidas na admissibilidade das politicas publicas vergonhosamente precárias concentradas nos sucessivos governos do MPLA.

 Aos políticos compete-lhes discordar ou concordar, mas quando se expressarem em discursos, que o façam com clara leveza e verdade, para serem entendidos com perfeição pelos que eventualmente os escutarem. Além do mais, é importante que o presidente da republica entenda de uma vez por todas, que não são os longos discursos eruditos claramente demagógicos que o credibilizam.

Presidente mimoso, suplico-lhe que fale menos e faça mais como prometeu!

Tenho percorrido caminhos e atravessado pontes difíceis para ataviar os meus camaradas e amigos para no mínimo esperarmos que os primeiros 100 dias do governo do presidente João Lourenço demonstre ter força politica para impor-se como reformador, segundo sua próprias palavras. Pessoalmente penso que as pessoas ou as instituições movem-se ao serviço de umas e de outras pessoas, grupos ou sociedades publicas colectivas.

Foi bastante significativo analisar friamente a situação do país com os meus camaradas, igualmente foi ótimo conversar longas horas com o meu amigo e companheiro Rafael Marques de Morais sobre as potencialidades que o país pode oferecer, além de tudo avaliar a ação pertinente de todos actores atolados no arco da governação.

Ocorreu-nos concordar que 100 dias é um tempo razoável para o novo governo demonstrar a sua capacidade organizacional, o presidente da república poderá dar igualmente a conhecer o seu pensamento politico e a sua visão de país. Proceder assim, não significa fazer uma lobotomia em nós próprios, e muito menos significa estar ao lado do regime, e/ou considerarmo-nos como imprestáveis bajuladores infelizes. Bajular com certeza não é a nossa praia.

Além do mais, pessoas de bem, e temos dado tudo de melhor que temos, em defesa do princípio basilar inspirado no republicanismo democrático, sitiado algures na constituição, mas, nunca posto em prática.

É facto que ao longo de mais de 3 décadas temo-nos confrontado com toda firmeza contra o maniqueísmo exacerbado de José Eduardo dos Santos, o todo poderoso chefão da máfia angolana, e dono do latifúndio criado a sua imagem e semelhança. É claro, que não que sucumbiremos a nenhuma espécie de ilusão que nos leve a claudicar dos princípios que defendemos para servir de qualquer maneira o poder anacrónico que combatemos.

 Aliás, felizmente não somos parte integrante do complô formado por João Melo, Malavoloneke, Rabelais e companhia limitada. A nossa força não reside na busca de cargos, mas sim no poder da nossa consciência livre e democratizada, não somos nem alvitramos ser vendilhões do templo.

Sem sombras de dúvidas, posso afirmar que a democracia é o poder das liberdades.

Para mim democracia é o governo é governar em liberdade para cidadãos livres, isso significa dizer, que democracia é o poder do povo sem o ónus do populismo. Reconheço que é cedo para tecer criticas ao novo presidente da republica. Espero sinceramente que a trama de enrodilhes da fraude eleitoral passada tenham sido enterradas definitivamente.

Porém, o presidente da republica não pôde funcionar em doses homeopáticas e nem deve permitir -se a pulverizar o espaço social com sonoras divagações abstractas, expostas nos seus discursos aluadamente enviesados, que de todo podem o descredibiliza-lo num estalar de dedos. Por outro lado, acredito sim nas boas intenções de João Lourenço, mas, também acredito que de boas intenções está o inferno cheio.

 Angola como se sabe, é o nosso amaldiçoado inferno, subentende-se assim, que todo cidadão responsável deve participar no restauro e engrandecimento do país com a única finalidade de transforma-lo no éden que todos desejamos. Faz-se necessário que João Lourenço nos abençoe com a sensatez de perceber rapidamente que o cidadão angolano é um ser inteligente e não um subproduto de marketing que serve apenas para manobra politica.

Mesmo sem acreditar que João Lourenço seja o milagre que pedimos aos céus, porém, quero eu e muitos cidadãos ajudar o parto da transição entre o governo JES para o de João Lourenço. Não nego jamais a minha origem politica no MPLA onde permaneço ainda, o que nego são os excessos inadmissíveis, protagonizados pela atual direção do partido de onde aliás, o actual presidente é proveniente.

Com ou sem permissão do PR queremos e vamos participar da mudança da consciência da cidadania, queremos ajudar sim, mas de fora para dentro.  Porém, fica difícil, pois não observamos até aqui sinais claros de mudança desejada da parte do presidente da republica, nem mesmo da parte da responsável pela formatação do novel governo, que na verdade de novo nada tem.

 O que observamos nesse governo de criação expressa da primeira dama Any Dias, é a continuação dos vícios antigos adquiridos pela força dos longos anos como ministros do governo anómalo de JES. Reconhecemos no novo governo a presença de muita gente inexperiente, sem história, sem passado nem presente politico, na verdade a presença dessas pessoas no governo de JL não se traduz em novidade de vida para o país e muito menos para o povo.

 Essas pessoas, além de serem filhas e filhos de gente privilegiada e possuírem formação superior, não passam de ilustres desconhecidos sem nenhum background tangível de conhecimentos fartos, que ajude a retirar o país do fosso em que foi colocado.

A presença injustificável de alguns mangas de alpaca bem rodados (velhotes), que nada mais conseguem produzir no campo temporal do combate pacifico das ideias, podem criar eventuais complicações desestabilizadoras para o governo, e até mesmo podem vir a descredibilizar e/ou anular os esforços do novo presidente da república para mudar o país.

É facto que existe um declarado pacto oligárquico para saquear o erário público, esse pacto está em vigor e está exposto a uma regular constância, com o fim de transformar o MPLA numa grande empresa com dinheiro publico roubado. Essa realidade dos nossos tempos é de difícil contorno.

 Além do mais, caso não se neutralize a ganancia dos dirigentes e se devolva ao povo a liberdade de expressão, de ir e vir e de manifestação em praça publica, tudo que conhecemos hoje ruirá, e de todo inviabilizará definitivamente o sonho de consumo dos angolanos, que é assistir ao vivo e a cores o nascimento da nova era republicana inclusivista.    

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