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Familiares de angolanos acusados de terrorismo criticam julgamento sem provas

Familiares de angolanos acusados de terrorismo criticam julgamento sem provas

Os familiares dos seis angolanos muçulmanos acusados de organização terrorista e de jurarem fidelidade ao grupo Estado Islâmico manifestam-se hoje indignados com um julgamento em que, alegam, "não existem provas".

O julgamento, que decorre na sétima secção do Tribunal Provincial de Luanda, arrancou na segunda-feira, e prossegue hoje, com os familiares dos acusados, cinco dos quais em prisão preventiva há quase um ano, a questionaram a veracidade dos crimes de que são acusados.

"Esperamos para breve um esclarecimento, porque sabemos que são todos inocentes, esperamos que pela acusação que foi feita que mostrem as provas", exortou Nsimba Madalena Panzo, irmã de um dos acusados neste processo, Lando Panzo.

De acordo com a acusação, datada de 26 de abril, os suspeitos criaram em 2015, em Angola, o "grupo muçulmano radical denominado 'Street Da Was'".

Para a irmã do acusado, a detenção e o julgamento têm-se traduzido numa "intensa perturbação" da família, sobretudo desde o período em que desconheciam o paradeiro de Lando Panzo.

"Estamos muito indignados com isto, muito tristes, ficámos um mês em intensa perturbação porque não sabíamos o paradeiro do nosso irmão, ele foi apanhado na rua sem mandado de captura", disse, afirmando que o Islão "é uma simples religião".

"É uma religião como outra, agora que tem a ver com terrorismo? isso não é verdade", disse, em declarações à Lusa no arranque de mais uma sessão do julgamento, que decorre à porta fechada, em Luanda.

"A minha mãe já não goza de boa saúde devido essas acusações, que são muito graves. É triste porque sinto que apenas querem atingir os muçulmanos", disse.

Por isso, Nsimba Madalena Panzo só pede que se faça justiça: "Que o Ministério Público levante estas acusações".

O apelo para justiça foi também deixado por Assany Salvador, irmão de Joel Saidy Salvador, de 21 anos, por considerar este é inocente, já que, afirma, nem sequer sabe manusear uma arma: "Ato de terrorismo se ele nunca saiu fora do país? E não há provas concretas, por isso queremos apenas justiça".

Para o irmão de Assany, "professar o islão não deve ser confundido com terrorismo", uma vez que "não existe" orientação nesse sentido no Alcorão, o livro sagrado para os muçulmanos.

"Já o li do princípio ao fim e não vi nenhum sítio onde Alá ou o nosso profeta Mohamed decreta que temos de matar pessoas. Eu sou contra o terrorismo, sou angolano e se eu vir alguém com esse ato de terrorismo seria o primeiro a denunciar", concluiu.

No arranque do julgamento a coarguida Ana Júlia Kieto, de 36 anos, que aguarda julgamento em liberdade, disse aos jornalistas que está a ser julgada "simplesmente por ser muçulmana".

Os acusados incorrem num crime previsto na Lei de Combate ao Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo, de 2011, que prevê uma moldura penal de cinco a 15 anos de prisão efetiva para quem participar na constituição de grupo, organização ou associação terrorista.

Têm entre 23 e 39 anos, são residentes em Luanda e, de acordo com a acusação, criaram o grupo 'Street Da Was', "formado por cidadãos nacionais convertidos ao Islão", tendo como objetivo "a divulgação do islamismo nas ruas, usando a sigla 'ISLAMYA ANGOLA'", que "publicava e disseminava entre os seus elementos, através das redes sociais, matérias e temas de cariz radical".

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