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No Zimbabwe a hiperinflação está na luta entre o "Crocodilo" e Grace Mugabe

No Zimbabwe a hiperinflação está na luta entre o "Crocodilo" e Grace Mugabe

Um gelado, veneno, um vice-presidente e uma primeira-dama colérica: vale quase tudo no Zimbabué. Menos a moeda oficial. Agora há títulos paritários ao dólar mas, com o seu valor a derrapar, o medo instala-se

Em meados de agosto, num comício partidário em Gwanda, o vice-presidente Emmerson Mnangagwa começou a vomitar sem parar. Levado de emergência, foi hospitalizado em Joanesburgo, África do Sul. Um gelado envenenado - de uma empresa da primeira-dama Grace Mugabe - foi a hipótese que os seus apoiantes aventaram. Recuperado e de regresso a Harare, o vice de Robert Mugabe esclareceu na quinta-feira, em conferência de imprensa, ter sido vítima de um envenenamento. "Nunca disse que fui envenenado em Gwanda, mas que fiquei doente. Os médicos que me socorreram excluíram um envenenamento via alimentar, mas confirmaram que fui envenenado e que a investigação prossegue."

Mnangagwa afirmou ainda não ter ideia de quem terá tentado liquidá-lo. Mas há quem diga que politicamente já esteja: na terça-feira, no aeroporto, o presidente Mugabe não o terá cumprimentado de propósito. Apesar de o seu nome não ter sido insinuado na conferência de imprensa, Grace Mugabe não perdeu tempo a responder. "Porque iria matar Mnangagwa? Quem raio é Mnangagwa? O que é que eu quereria dele que não tenha? Matar alguém a quem o meu marido deu trabalho? Isso não faz sentido", declarou junto de apoiantes.

A menorização de "Crocodilo" Mnangagwa - alcunha ganha nos tempos da luta de libertação - por parte de Grace Mugabe é o mais recente capítulo na guerra cada vez menos surda entre os dois principais candidatos à sucessão de Robert Mugabe, de 93 anos. Em 2018 há presidenciais e o homem que está desde 1980 no poder (primeiro como primeiro-ministro, depois presidente) planeia candidatar-se. Já para 2019 está agendado um congresso para decidir a liderança do partido no poder, a União Nacional Africana do Zimbabwe (ZANU-PF) e alguns analistas creem que, caso Mugabe se mantenha no poder até então, poderá ser esse o momento de passar o testemunho.

"Em definitivo temos dois elefantes à luta. Vamos ver o que acontece à relva", comentou à AFP Derek Matyszak, do Instituto de Estudos de Segurança, de Pretória. No início de setembro, Grace fez um discurso em que criticou a guerra de fações no partido, mas contribuiu, ela própria, para a dita, ao dar uma bicada em Mnangagwa. O comício foi realizado em Gweru, região em que o "Crocodilo" é popular: "Se alguém quer chegar a líder do Zimbabwe tem de ser amado por todas as províncias, e não só por uma." Na ocasião, Grace deixou o futuro para outra entidade: "Deus ainda quer que o presidente Mugabe seja o líder e ele vai dizer-nos quando quer abdicar." Grace tem pedido em público para que o marido nomeie o sucessor. No ano passado, em nome da liga das mulheres, Grace declarou a Robert Mugabe: "Queremos que sejas presidente para a vida, és insubstituível, serás o nosso líder mesmo na tumba".

Com um feitio colérico, Grace coleciona histórias pouco edificantes. A mais recente deu-se em agosto. A primeira-dama do Zimbabué foi acusada pela modelo Gabriella Engels de a ter atingido com um cabo elétrico, num hotel de Joanesburgo, onde dois filhos de Mugabe estavam hospedados. Grace escudou-se na imunidade diplomática. O mesmo já acontecera em 2009, em Hong Kong, quando foi acusada de ter dado ordens para um segurança bater - e ela também - num fotógrafo do Sunday Times. As suas festas e compras luxuosas, num país assolado por uma crónica crise económica e pela hiperinflação que acabou com a moeda local, contribuem para a imagem pouco abonatória da antiga secretária de Mugabe.

A Reuters noticia que, nas ruas, a preocupação é outra. Desde 2009 que o dólar americano substituiu o zimbabweano. O Banco Central criou entretanto títulos em versão nota e moeda (conhecido como bólares) e eletrónica (zólares), com uma taxa de câmbio que devia ser paritária ao dólar dos Estados Unidos. Mas uma recente impressão de novos títulos para comprar ouro fez disparar o preço do dólar e criou uma onda de medo.

Em 2013 a União Europeia suspendeu a maioria das sanções impostas em 2002 àquele país africano devido à violência política e às violações dos direitos humanos. Porém, o casal presidencial continua alvo de sanções.

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