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O novo desafio da comissão política da UNITA

O novo desafio da comissão política da UNITA

Já era do domínio mais ou menos geral que o líder da UNITA, Dr. Isaias Samakuva granjeava enorme apoio entre angolanos. A última campanha eleitoral veio apenas confirmar a simpatia nutrida por várias franjas da nossa sociedade. Tudo leva a crer que os níveis dessa simpatia cresceram cada vez mais, a partir do momento em que o líder da UNITA reafirmou o seu desejo de abandonar a Direcção do Partido.

Por Lourenco Antônio

“Afirmei aos angolanos antes e durante a campanha eleitoral que depois das eleições deixaria o cargo de Presidente da UNITA para servir o partido numa posição diferente. Mantenho e reafirmo esta decisão", disse o Dr. Isaías Samakuva aos membros do Comité Permanente.

Essas palavras que foram recebidas com surpresa no seio Partido, geram sentimento de preocupação entre militantes e em alguns círculos são mesmo rejeitadas. O Comité Permanente da Comissão, o órgão de cúpula informado de forma oficial, limitou-se a afirmar em comunicado que tinha “tomado nota da decisão pessoal do Presidente do Partido".

De vários sectores do Partido e da sociedade chegam indicações de que é agora que Isaias Samakuva deve permanecer na Direcção da UNITA, com argumentos de que as esperanças dos angolanos continuam a ser depositadas na UNITA e no seu líder. Dizem que é agora que, como bom caçador Isaias Samakuva não deve quebrar a azagaia, mas continuar a caçar presas. Recomendam, por isso, que a Comissão Política que se vai reunir em data ainda não indicada, mas antes do fim do ano de 2017, tenha a sabedoria e atitude madura de remover o Dr. Isaias Samakuva da sua posição pessoal.

Dizem ainda que é agora que os militantes da UNITA devem escutar os clamores da sociedade e convencer o Dr. Isaias Samakuva a permanecer e a não abandonar os angolanos a meio do caminho. Para esses sectores, as mudanças que Angola precisa nunca virão do MPLA, lamentavelmente, mas devem começar a ser exigidas pela oposição com a UNITA de Isaías Samakuva a testa, na Assembleia Nacional, com aprovação de normas legais que agilizem a implementação das autarquias locais. As mudanças devem começar agora, com a transmissão em directo pela TPA e pela Zimbo dos debates que passam a ter lugar brevemente na Casa Magna. Devem começar agora, com combate verdadeiro à corrupção e ao nepotismo, com a valorização do angolano, na base das suas competências e não mais com base na militância partidária.

No entender desses sectores, muitos problemas que enfermam a vida dos angolanos foram criados pelo Partido no poder há 42 anos, através da sua má gestão, e a solução dos mesmos não pode ser proporcionada pelo MPLA. Acreditam, piamente que as propostas que a UNITA e o Dr. Isaias Samakuva apresentaram durante a última campanha eleitoral contêm terapia para os males que enfermam Angola.

Daí que apesar do actual quadro político, ainda repousam sobre a UNITA e o Dr Samakuva as esperanças da solução aos problemas que afectam a vida de milhões de angolanos, sendo essa a principal razão da presença numerosa de angolanos em actos de Samakuva na fase da campanha eleitoral.

A UNITA é um projecto de sociedade fundado por angolanos patriotas encabeçados pelo Dr Jonas Malheiro Savimbi, cuja finalidade é dar aos angolanos uma vida digna e honrosa. Depois de Jonas Savimbi, a Direcção da UNITA tem pesado sobre os ombros do Dr Isaias Samakuva, que desde 2003, tem merecido a confiança dos militantes do Partido. No mandato que começou com a sua reeleição em Dezembro de 2015, o Dr Isaias Samakuva tem reiteradas vezes afirmado à imprensa o seu desejo pessoal de deixar a liderança da UNITA, continuando a servir a mesma noutra posição.

Os resultados das recentes eleições que na óptica da CNE e do TC deram vitória ao MPLA terão precipitado a decisão do Presidente Samakuva, que não tendo sido eleito presidente da república, entende chegado o momento de servir a UNITA fora do cadeirão máximo. Embora de todos os membros da UNITA a posição do Presidente mereça respeito, a decisão final passa pela aprovação da Comissão Política que em sede de uma reunião do órgão deliberativo apreciará o relatório da Direcção da Campanha Eleitoral para as eleições de 2017 e terá, então de se pronunciar sobre a oportunidade ou não da convocação do congresso extraordinário para a eleição do novo presidente do Partido.

Contra as expectativas da vitória da UNITA e de um maior equilíbrio na Assembleia Nacional, a CNE atribuiu ao Partido liderado por Isaías Samakuva nada mais do que 51 Deputados, mais 19 que na legislatura passada. Para alguns sectores do Partido, esse resultado administrativo que a UNITA vinha rejeitando há bastante tempo não tem sabor da derrota. Deste modo, rejeitam a ideia de considerar o Dr. Samakuva único culpado elo desaire nas eleições de 23 de Agosto. Para esse segmento que olha para o longo percurso da UNITA numa perspectiva de luta prolongada, durante a qual o Partido tem registado êxitos palpáveis, o resultado obtido no pleito reflecte algum ganho e como se diz na gíria “grão a grão a galinha vai enchendo o papo”. Dito de outro modo, apesar de tudo, incluindo a maneira como foram manobrados os resultados eleitorais, a UNITA está mais próximo do seu objectivo. Conquistou os corações dos angolanos e vem colhendo simpatia nos seio das populações e dos meios urbanos e instituições que, até certa altura, eram hostis à UNITA, em virtude da propaganda de diabolização pelos meios de comunicação tutelados pelo MPLA. Para esse segmento, o ônus dos resultados das eleições não é exclusivo do Presidente do Partido, deve ser assumido por todos. Por isso, essa corrente não aceita que o facto de não ter chegado ao Palácio da Cidade Alta seja motivo suficiente para o Dr. Samakuva colocar à disposição o cadeirão presidencial.

Há, entretanto, outros sectores no Partido, que dando ouvidos a certos segmentos da sociedade, mostram-se sensíveis aos anos de liderança do Dr. Isaías Samakuva, pressionam para a sua saída e vão construindo a ideia moralista de cumprimento da palavra dada.

Bem, até lá, a ver vamos.

Teremos de um lado o Presidente Samakuva a manter a sua posição e do outro a Comissão Política em representação de militantes divididos, entre os que apoiam a permanência na liderança do actual Presidente e os que estão contra, portanto, a favor da interrupção do mandato e eleição do novo inquilino da Maianga.

Modificado emterça, 03 outubro 2017 13:47

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