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Ruptura do equilíbrio nas relações conjugais VS Igualdade de direitos entre géneros

Ruptura do equilíbrio nas relações conjugais VS Igualdade de direitos entre géneros

Em Angola em tempos idos, as relações entre casais assumiam uma marcha de equilíbrio bastante coesa e sólida, num clima harmónico e fraterno, porém, pela ironia do destino, os tempos actuais fizeram das relações um desastre em virtude do mar de problema que mina a convivência entre cônjuges. 

Embora possa não parecer, o casamento ainda continua a ser o que era. As pessoas quando casam ainda acreditam no “Até que a morte os separe” e ainda têm como principal objectivo a busca continuada da felicidade.

Os primeiros sinais de desencanto surgem com as incompatibilidades de feitios que são acentuados pelo convívio entre os membros do casal; o desequilíbrio na divisão de tarefas; quando o casal começa a entrar na rotina e os problemas económicos surgem dá  - se lugar ao aparecimento da ruptura do equilíbrio na relação conjugal. Outro dos problemas muito frequentes e que podem minar a vida de um casal é a falta de diálogo e as constantes discussões, a falta de submissão da mulher, a falta de respeito do homem à sua esposa, a falta de humildade da mulher, ou seja, hoje, os casais vivem um desequilíbrio no âmbito do entendimento entre homem e mulher, todos querem ser iguais, todos querem gritar em uníssono, querem falar, têm os mesmos direitos. O desfalecimento do respeito ao homem, deu lugar a inúmeras razões que colocaram as relações sobre os píncaros das separações.

Há longos anos, citam antropologistas, que o papel da mulher, tinha sido resumido num acto humilde de servilismo à família e a sociedade por imposição de ordem histórica, que remonta ao tipo de organização e ao modo de subsistência das sociedades primitivas.

A vida primitiva, forçava os humanos, a uma vida em grupos. Os homens percorriam os grandes espaços para caçarem animais necessários à sua alimentação. As mulheres, entregues à sua actividade de procriação, limitavam-se a colher plantas selvagens na imediação do seu habitat. A caça era uma actividade nobre, implicava riscos, argúcia, destreza, força, manuseamento de arma de ataque.

A colheita de plantas não tinha qualquer valoração.

A partir desta diferença inicial de funções nascem todas as desigualdades do género.

A mulher depende do homem, fica confinada aos espaços restritos, cuida dos filhos e dos parentes.

Com base na organização deste quotidiano surgem extrapolações bem conhecidas: o homem caracteriza-se pelo rigor do pensamento, pela capacidade de raciocínio, pela força muscular, o que lhe dá autoridade e autonomia. À mulher resta-lhe a intuição, a paciência, a capacidade de dedicação aos outros e a submissão sólida.

Enraízam-se, assim, hábitos ancestrais e criam-se mentalidades apoiadas em códigos, interdições e proibições veiculadas pelas religiões, que influenciam o relacionamento entre homens e mulheres.

A evolução da condição feminina, que veio a verificar-se ao longo do tempo, é universal e resulta de um grande conjunto de factores, sobressaindo as mutações económicas, sociais e politicas que se reflectem no comportamento das mulheres.

Elas saem do mundo doméstico para a vida activa, põem à prova as suas capacidades intelectuais e físicas, revelam talentos, aprendem a viver no colectivo, afirmando a sua identidade e autonomia.

Vivemos num mundo complexo que muda constantemente e com ele muda a situação feminina, mas as mudanças não ocorrem de forma linear.

O trabalho realizado pelo homem, mesmo que seja penoso, é sempre uma alegria, e existe a melhor harmonia entre dirigentes e dirigidos. A mulher só é feliz se estiver à guarda do homem.

No interior do lar o homem detém a autoridade e a mulher deve receá-lo, servi-lo e obedecer-lhe.

Hoje, a situação tomou um peso da evidência contrária, as múltiplas lutas femininas têm vindo a fazer da mulher num outro ser perto de perder a sua identidade subalterna ao homem no lar, falando – se desde logo em direitos iguais, porém, os princípios tradicionais bantus, dizem que a mulher deve assegurar o futuro da espécie no lar e ser obediente ao marido.

A valoração do casamento baseado na igualdade de direitos e deveres dos conjugues é hoje um facto evidente, mas, esta igualdade de direito, trouxe consigo a falta de humildade em muitas mulheres, que passam a desrespeitam seus maridos sem qualquer escrúpulo, colocando até então, o lar no vale do desespero. 

A partilha, na família, do poder paterno entre o marido e a mulher tem vindo a causar desacatos em muitos dos lares onde os homens não aceitam a igualdade de tarefa, por acharem que são os mais fortes e não aceitam a divisão do papel no lar, negam categoricamente a lei dos direitos iguais em que todos podem: arrumar a casa, mudar fraldas dos bebes, lavar a louça, ir as compras, limpar o chão, cozinhar, ficar com o bebe que chora, arrumar a mesa.

Esses são dos direitos de igualdade que não encontram espaço algum na tradição bantum onde o homem é soberano e assume a responsabilidade excelsa de um lar, o cabeça de casa, nesta sorte, há tarefas que são proibidas que um homem o faça, porém, os direitos de igualdades não separam tarefas nem mesmo interesses, todos são iguais, ninguém existe acima do outro, nem abaixo do outro.

Esses direitos de igualdade é que têm vindo a colocar o ar de arrogância em muitas mulheres nos lares, como resultado suscitam casamentos completamente rotos em virtude da isenção da humildade da mulher, do respeito e da harmonia, nenhum homem queria ter a sua tarefa colocada num acto doméstico, os homens, gostam da masculinidade autêntica e de valentia, neste prisma, quando num lar se prima pela igualdade de direitos, virão problemas sem regressos que arruinarão de forma gradativa o casamento ou a união entre ambos.

Sem dúvida que, conquistada a liberdade e iniciada a vida democrática, o estatuto das mulheres angolanas na sociedade foi melhorando, mediante a concretização progressiva dos princípios e direitos.

Mas não basta a consagração na lei para que se verifiquem na prática os princípios enunciados e se evitem situações discriminatórias, que reflectem a influência da pesada herança do passado.

Tendo em consideração que no nosso meio persistem nas práticas correntes antigos preconceitos veiculados pela tradição cultural e pela educação informal ou formal, que actuam negativamente nas relações entre homens e mulheres, há que desenvolver uma política integrada da igualdade do género.

Bem – haja!

João Henrique Hungulo: Médico Generalista, Pesquisador de Ciências Médicas, Professor Universitário, Escritor, Poeta.

Modificado emsegunda, 11 setembro 2017 21:19

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