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Pedida "cabeça fria" ao Serviço de Migração e Estrangeiros angolano junto à RDCongo

Pedida "cabeça fria" ao Serviço de Migração e Estrangeiros angolano junto à RDCongo

O diretor-geral do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) de Angola, José Paulino da Silva, pediu hoje "cabeça fria" ao efetivo daquela força na província da Lunda Norte, face à instabilidade na fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo).

O responsável falava em Luanda, nas comemorações do 41.º aniversário daquela força de segurança, encarregue das operações migratórias, de estrangeiros e da vigilância das fronteiras nacionais, precisamente numa altura em que a preocupação angolana está concentrada nos conflitos étnico-políticos no Casai e Casai Central, na RDCongo.

"O SME, principalmente o seu efetivo estacionado na província da Lunda Norte, em colaboração com as forças de defesa, segurança e ordem pública, é chamado a arregaçar as mangas, a reforçar a vigilância e a manter a cabeça fria, face aos desafios que despontam no horizonte ensombrado", disse o comissário José Paulino da Silva.

Estes conflitos já provocaram a fuga de mais de 12.000 refugiados congoleses para a Lunda Norte, nos últimos dias, face à onda de violência naquela região, que provocou ainda a morte a um agente do SME, de acordo com informações locais.

"Não cedendo nenhum palmo da nossa amada terra e não recuando nenhum passo sequer, sob pena de soçobramos", exortou o diretor-geral do SME.

O comandante-geral da Polícia Nacional de Angola tinha já informado na terça-feira que estão em curso ações de reforço de patrulhamento na fronteira com a RDCongo, para evitar a "penetração" de grupos armados em território angolano.

"Estão a ser tomadas as medidas. Nós não podemos ficar impávidos, estamos a tomar as medidas de contenção para que não haja penetração de forças armadas para dentro do nosso país", disse o comissário Ambrósio de Lemos.

Em declarações à rádio pública angolana, o comandante-geral da Polícia Nacional garantiu que os refugiados congoleses que se encontram em território nacional estão a receber "tratamento humanitário" e que no plano político o caso está a ser tratado "Estado a Estado" e através de uma comissão interministerial criada para o efeito pelo Governo de Angola.

No domingo, só no Centro de Acolhimento de Mussungue, na Lunda Norte, estavam instalados mais de 3.200 refugiados, dos quais 1.400 eram crianças, número que não parava de aumentar, segundo as autoridades locais.

A situação já levou o chefe do Estado-Maior Adjunto das Forças Armadas da RDCongo, general Dieudonnè Ameli ao Dundo, na Lunda Norte, para uma reunião com o general Gouveia de Sá Miranda, comandante do Exército angolano.

Só a província da Lunda Norte partilha 770 quilómetros de fronteira com a RDCongo, dos quais 550 terrestres e os restantes com limites fluviais.

Além dos conflitos internos e instabilidade militar na região de Casai, a RDCongo está em crise generalizada depois de o Presidente Joseph Kabila, cujo mandato terminou a 20 de dezembro de 2016, se ter negado a deixar o poder.

Kabila, no poder desde o assassinato do pai em 2001, Laurent-Desiré Kabila, estava impedido pela Constituição da RDC de concorrer a mais um mandato, mas as eleições foram adiadas.

LUSA

Modificado emquinta, 20 abril 2017 13:14

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