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Ana Gomes encoraja Angola a reclamar perdas das receitas de diamantes

Ana Gomes encoraja Angola a reclamar perdas das receitas de diamantes

A eurodeputada portuguesa Ana Gomes encorajou hoje Angola a reclamar junto das autoridades belgas o repatriamento de ativos ligado ao esquema de branqueamento da venda de diamantes que, alega, lesou o Estado angolano em milhares de milhões de euros.

Numa conferência de imprensa no Parlamento Europeu, em Bruxelas, Ana Gomes defendeu que o caso judicial em curso na Bélgica relativo à Omega Diamonds, por fraude na classificação de diamantes de Angola, é uma boa oportunidade para as autoridades angolanas, "sob a nova presidência de João Lourenço, se interessarem por recuperar somas avultadas que pertencem ao povo angolano".

Segundo Ana Gomes, as receitas foram desviadas num esquema montado por um consórcio no qual, apontou, Isabel dos Santos, filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, era figura-chave.

Na conferência de imprensa participou um perito belga em geopolítica diamantífera, David Renous, que foi um dos autores da denúncia que levou ao processo judicial agora em curso no Tribunal de Ghent, e que explicou o esquema de lavagem de diamantes montado para os mesmos chegarem à Bélgica com se fossem provenientes do Dubai.

A participação do jornalista angolano Rafael Marques, autor do livro "Diamantes de Sangue", que estava prevista, foi anulada devido a problemas técnicos.

Após a conferência de imprensa, Ana Gomes explicou à Lusa que o objetivo da mesma "era justamente de encorajar as autoridades a chegar-se à frente, a sinalizar às autoridades belgas que, em matéria de diamantes, Angola quer uma relação direta".

Segundo a eurodeputada portuguesa, Angola "não precisa de passar pelo Dubai e pelos esquemas que a (empresa) Ascorp no passado engendrou para desviar recursos do Estado angolano".

O objetivo é "recuperar o que for possível recuperar neste processo que está aberto no tribunal de Ghent e que diz respeito a mais de 8 mil milhões de dólares que foram desviados de Angola pelo Omega Diamonds nos seus esquemas com a Ascorp de Isabel dos Santos", defendeu.

A Ascorp [Angola Selling Corporation], é uma empresa fundada em 2000 que tinha o direito exclusivo de vender e exportar diamantes de Angola, e na qual Isabel dos Santos tinha uma participação.

Ana Gomes, eleita nas listas do PS, sublinhou ser "claro que se as autoridades angolanas não se chegarem à frente não há nenhuma hipótese de isto mudar".

A eurodeputada recordou que ainda este mês o novo Presidente de Angola, numa visita à Bélgica incluiu uma deslocação a Antuérpia.

"Fez declarações no sentido precisamente de querer estabelecer um novo tipo de relação, e portanto será natural que então comece exatamente por ir a este processo procurar recuperar o que for recuperável daquilo que foi desviado por Isabel dos Santos e os seus associados no quadro da empresa Ascorp em ligação com os Omega Diamonds", considerou.

"Tenho alguma esperança que o novo poder em Angola cumpra pelo menos parte daquilo que tem dito ao povo angolano e no exterior em termos de querer limpar estes esquemas de corrupção", declarou Ana Gomes.

Também David Renous exortou o Presidente de Angola, no quadro da sua "guerra contra o nepotismo e impunidade", a "insistir" junto das autoridades belgas para que o seu país seja de algum modo compensado por aquilo que classifica com um "atentado à soberania do Estado angolano", lesado em muito dinheiro devido ao esquema de venda de diamantes montado por "verdadeiras máfias", que decidiu denunciar.

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