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A turma de fica só o presidente entra em acção na UNITA

Alguns membros da direcção da UNITA apelaram ao presidente do partido, Isaías Samakuva, para se manter na liderança, mesmo depois deste já ter anunciado publicamente o desejo de abandonar o cargo.

Lourenço António, secretário da presidência do partido para a Comunicação e Imagem, Altino Kapango, secretário no Namibe, e Sediangani Mbimbi, antigo presidente do PDP-ANA e que aderiu à UNITA, são alguns rostos daqueles que defendem a continuidade de Samakuva.

Num artigo publicado na sua página do Facebook, Lourenço António fala daquilo que considera ser o apoio que o líder da UNITA granjeia no seio do partido e em “várias franjas da sociedade”. O jornalista sublinha que o Comité Permanente da Comissão Política, órgão de cúpula do partido e que já foi informado de forma oficial do desejo de Samakuva, apenas se limitou  a afirmar em comunicado que tinha “tomado nota da decisão pessoal do presidente do partido”. 

Com isso, Lourenço António quer dizer que a materialização do desejo de Samakuva passa por uma aceitação da direcção do partido. “De vários sectores do partido e da sociedade chegam indicações de que é agora que Isaías Samakuva deve permanecer na direcção da UNITA, com argumentos de que as esperanças dos angolanos continuam a ser depositadas na UNITA e no seu líder. Dizem que é agora, como bom caçador, que Isaías Samakuva não deve quebrar a azagaia, mas continuar a caçar presas”, sustentou o político, ao justificar a necessidade da permanência do actual presidente, que se encontra à frente do partido desde 2003.

Na óptica de Lourenço António, os militantes do partido estão a recomendar que a Comissão Política, que se vai reunir em data ainda não indicada, mas antes do fim do ano em curso, “tenha a sabedoria e atitude madura de demover o Dr. Samakuva da sua posição pessoal”.

Altino Kapango, secretário da UNITA no Namibe, outro dirigente  que defende a continuação de Isaías Samakuva, chegou a ter um aceso debate, numa página do Whatsapp, com o jornalista Carlos Alberto, recentemente indicado pela UNITA para integrar o conselho directivo da Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana (ERCA). No “Grupo de Ideias”, em que participaram figuras de proa da UNITA, o jornalista mostrou-se céptico quanto ao futuro do partido, caso Samakuva continue no leme.

“Quem sabe se Samakuva continuar à frente da UNITA seria a morte garantida para o partido em 2022!”, sugeriu Carlos Alberto. Em reacção, Altino Kapango afirmou que cada um tem a sua opinião e se deve respeitar as opiniões alheias. Mas considera que “só beneficia a UNITA e o país que o Dr. Samakuva continue na liderança do partido, até à realização do congresso ordinário (previsto para 2019)”. 

O secretário da UNITA no Namibe defende, assim, que Samakuva saia apenas em 2019, altura em que termina o seu último mandato iniciado há dois anos. “Salvo se alguém se predispuser a arranjar dinheiro para o partido ter de realizar dois congressos em dois anos”, sublinhou Altino Kapango, numa alusão à hipótese de realização de um conclave de carácter extraordinário.

Sediangani Mbimbi também é pela continuidade do actual presidente. “Deixem o Samakuva. Ele é o melhor líder neste momento de grandes batalhas”, afirmou o político, também no “Grupo de Ideias” do Whatsapp . 

Reacção de Camalata Numa 

O debate desenvolvido na página “Grupo de Ideias” surgiu depois de uma publicação de Abílio Camalata Numa, um histórico da UNITA e que é tido como estando entre os candidatos à sucessão de Isaías Samakuva.

Numa clara reacção aos sectores que defendem a continuidade de Samakuva, o general na reserva e antigo deputado lamentou a forma como “alguns dirigentes e quadros do partido” têm tentado apelar à permanência do actual líder, considerando que, com isso, “se está a banalizar a instituição UNITA e o seu presidente”.

“O camarada Samakuva, no dia 16 de Setembro de 2017, disse publicamente que se retiraria da direcção da UNITA, na senda do que tem vindo a dizer há muito tempo”, lembra Camalata Numa, para quem “não há razões dos apelos que muitos tentam inflamar porque nada disso conta, por estarmos diante da responsabilidade ética do presidente perante os angolanos que são os soberanos eleitores e contribuintes que temos de respeitar”.

Camalata Numa defende que “estes movimentos, que de espontâneo nada têm, devem parar”. “Vamos aguardar o que ele pessoalmente vai dizer na reunião da Comissão Política, sem necessidade de intermediários”, exorta. 

Isaías Samakuva, que reafirmou recentemente o seu desejo de abandonar a presidência da UNITA, negou que tenha sido pressionado a fazê-lo pelos militantes. “Não, isso está fora de questão”, afirmou o então candidato da UNITA a Presidente da República, lembrando que no último congresso, realizado há dois anos, venceu com 82 por cento dos votos, razão pela qual não pode ter havido pressão em tão curto espaço de tempo.

O político, de 71 anos, deixou claro que decidiu sair por vontade própria, devido à idade e ao desejo de se dedicar mais à família. “Estou há 15 anos à frente do partido e tenho de ver também a minha idade, a família e outros afazeres”, esclareceu, para logo a seguir sublinhar que iria continuar no partido “com a mesma energia e motivação de sempre, mas noutras funções”. (JA)

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