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“Portugal não é o principal esconderijo” das fortunas ilícitas de Angola

“Portugal não é o principal esconderijo” das fortunas ilícitas de Angola

Presidente angolano diz que fortunas que o Estado quer localizar estão “espalhadas pelo mundo fora” e não apenas em Portugal

Portugal não é o “principal esconderijo” das fortunas angolanas com origem ilícita que o governo de João Lourenço quer reaver através da nova lei dos “bens incongruentes”, disse o Presidente de Angola, este sábado, em Lisboa.

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“Se é o principal esconderijo? Não confirmo. Acreditamos que essas fortunas — e estou a falar de fortunas, não apenas de dinheiro — estarão espalhadas pelo mundo fora, muito provavelmente, além de Portugal, em locais nunca antes imaginados. É nossa obrigação, com os meios que dispomos e os contactos com outros Estados, tentar localizar essas fortunas. Estará em Portugal, mas também em muitos outros países.”

Lourenço não quis comentar se Angola considera que Portugal recebeu com demasiada facilidade essas fortunas sem verificar com rigor a origem do dinheiro. “Essa pergunta seria mais para as autoridades portuguesas, e não para mim.” Ninguém quis ainda estimar quanto capital angolano de origem ilícita estará em Portugal, mas serão milhões.
O penúltimo momento da visita de Estado do Presidente da República de Angola a Portugal — a terceira nos 40 anos de democracia angolana — foi uma conferência de imprensa com os media portugueses, seguida de um almoço com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.

Depois de três dias a repetir, em Lisboa e no Porto, a mensagem de que as relações bilaterais estão num “novo patamar”, que “o irritante [jargão da diplomacia para problemas graves] desapareceu” e que Portugal “é um país muito querido pelos angolanos”, João Lourenço disse de novo que “não existem obstáculos na relação entre Angola e Portugal e, se existiu algum, foi de menor importância — é uma situação que está ultrapassada”. De 1 a 10, que nota dá João Lourenço à relação entre os dois países? “Não posso dar nota 10 porque o objectivo é chegarmos ao 10, é atingirmos a excelência das relações. E não se pode dizer que já sejam excelentes. São muito boas e por isso temos obrigação de continuar a trabalhar para a excelência.”

O Presidente não adiantou novidades sobre a dívida do Estado angolano a empresas portuguesas e disse apenas que Portugal concordou com a certificação já feita por Angola — 270 milhões de euros, dos quais metade já foram pagos e o resto deverá ser pago em breve. Mas deu boas notícias a alguns empresários.

Sem falar directamente do BCP, Lourenço afirmou ter “sossegado” uma empresa que o abordou na sexta-feira à noite para saber se o Estado angolano ia sair do capital. O BCP? “Estou a referir-me a um banco”, respondeu. Sobre o BCP, Lourenço tinha dito ao Expresso, ainda em Luanda, uma frase enigmática que causou nervosismo em Lisboa: “Não estou a dizer que vamos sair amanhã.” Este sábado o tom foi diferente. A Sonangol entrou no BCP em 2007 e detém 19,5% (é o segundo maior accionista). Um alto quadro do BCP disse ao PÚBLICO, este sábado, que, após a visita de Estado, o banco “está tranquilo”.

Sobre a Galp Energia, onde a Sonangol é accionista ao lado de Isabel dos Santos, através da Amorim Energia, Lourenço nada disse. Ao Expresso, antes de chegar a Portugal, o Presidente classificou a participação da Galp como “uma dispersão”, numa altura em que a Sonangol está a iniciar um plano de venda de activos.

Questionado sobre o tweet de Isabel dos Santos, no qual a filha do ex-Presidente alerta para a crise profunda que se vive em Angola, o chefe de Estado apenas rejeitou que o país esteja, ou venha a estar, perante uma crise. Sobre o futuro dos bens de Isabel dos Santos, nada disse.

Apostado na diversificação da economia angolana, Lourenço voltou a apelar ao investimento português: “Gostaríamos de ver os empresários portugueses em Angola e em força. Não gosto muito desta expressão e quem sabe da história sabe porquê.” Em 1961, quando rebentou a guerra colonial, António de Oliveira Salazar, Presidente do Conselho durante a maior parte do Estado Novo, pediu que os portugueses fossem “para Angola, rapidamente e em força!” lutar contra os guerrilheiros.

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