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Investimentos angolanos de 213 bilhões de dólares no exterior não beneficiaram país - Estudo

Investimentos angolanos de 213 bilhões de dólares no exterior não beneficiaram país - Estudo

O investimento direto dos angolanos no exterior, só nos últimos 15 anos, em termos acumulados foi de 213 bilhões de dólares, quando o investimento estrangeiro em Angola, nesse período, foi de 188 bilhões de dólares, foi hoje anunciado.

Os números constam do Relatório Económico de Angola 2017, apresentado hoje em Luanda, pelo investigador do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), Francisco Paulo.

De acordo com o investigador do CEIC, em termos gerais, regista-se que há mais angolanos a investirem no estrangeiro que estrangeiros a investirem no país, sendo que, em termos de lucros para Angola, a balança de pagamentos não regista o respetivo repatriamento para o país.

"De 2002 até 2017, em termos acumulados, saíram de Angola, a título de investimento direto estrangeiro, 213 bilhões de dólares, enquanto a título de entrada, a captação de investimentos foi de 188 bilhões de dólares", afirmou.

Francisco Paulo que disse não ser contra o investimento direto de angolanos no exterior, mas manifestou-se, no entanto, preocupado com o "elevado volume" de investimento externo "sem quaisquer retornos" para o país.

Segundo o também docente da UCAN, a balança de pagamentos diz que, anualmente, as empresas estrangeiras tiram lucros de "cerca de 4.000 milhões de dólares".

"E qual é o retorno dos investimentos que os angolanos fazem no estrangeiro? Se olharmos para a balança de pagamentos é quase zero, ou seja, não há repatriamento dos lucros que estes investimentos deviam gerar", concluiu.

Na cerimónia, que teve lugar no auditório da UCAN, Francisco Paulo procedeu igualmente à apresentação do comportamento das exportações e importações do país em 2017 e anos anteriores.

Em relação ao setor petrolífero, o responsável deu a conhecer que, desde 2015, se tem registado decréscimo na produção anual de barris que, depois, são exportados.

"Desde 2015, o número de barris que o país exporta vem diminuindo. Em 2015 o país exportou 628 milhões de barris, em 2016 foram 611 milhões de barris e em 2017 foram 575 milhões de barris", afirmou.

"E, em 2018, naturalmente que será ainda menor, em função dos níveis que nos são apresentados só no primeiro trimestre", adiantou.

Já no domínio da estrutura de importações de bens e serviços, o estudo do CEIC aponta que, em 2017, as importações totalizaram "cerca de 28 mil milhões de dólares".

"[Em 2002], 58% da importação de bens era de consumo final e, em 2017, quinze anos depois, temos 67%. Apesar da existência de produtos internos, continuamos com apetência para adquirir produtos finais importados, porque a taxa de câmbio que se praticava incentivava mais a importação, porque era mais barato importar", observou.

Numa altura em que Angola se prepara para aderir à Zona de Comércio Livre da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), prevista para 2019, o investigador questionou na sua intervenção o que o país vai vender ao mercado concorrente da região.

"O país tem de se preparar para poder competir no mercado da SADC, o que vamos vender aos países vizinhos? Claro que eles precisam de comprar petróleo, mas não devemos apenas contar com o petróleo e há toda uma necessidade de diversificarmos as exportações", considerou.

O especialista entende, por outro lado, que competir no mercado da SADC deveria merecer uma "preparação atempada", pois defendeu que a "competitividade ganha-se competindo".

"Durante todo esse tempo que o país não aderiu, o que é que se fez para preparar as empresas ou reduzir os seus custos de produção? Parece que vamos aderir em 2019. Se tivéssemos de aderir muito antes, já teríamos traquejo para a zona africana", concluiu.

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