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Autoridades angolanas congelam contas bancárias de destacadas figuras políticas

Autoridades angolanas congelam contas bancárias de destacadas figuras políticas

As contas bancárias do vice-Presidente do Parlamento, Higino Carneiro, ex-governador da província de Luanda, e do deputado Manuel Rabelais, ex-ministro da Comunicação Social, foram congeladas, na sequência das investigações da Inspeção Geral do Estado sobre irregularidades na gestão de fundos públicos

As anomalias terão sido detetadas após um levantamento preliminar feito por peritos da Inspeção Geral do Estado, que, por ordem do Presidente João Lourenço, estão a passar “a pente fino” as contas de vários organismos públicos.

O Expresso apurou que entre eles figuram alguns governos provinciais, a Epal (empresa pública das águas) e o Ministério dos Transportes, com destaque para o Conselho Nacional de Carregadores, um departamento que, movimentando anualmente milhões de dólares, funcionava como uma espécie de “saco azul” da antiga liderança do sector.

O ex-ministro da Comunicação Social cujas contas bancárias foram agora congeladas não quis pronunciar-se, remetendo a questão para o seu advogado. Quanto ao antigo ministro dos Transportes Augusto Tomás - sobre o qual recaem graves suspeitas de gestão danosa e apropriação ilícita de bens públicos -, aguarda pelo regresso ao Parlamento (foi eleito deputado, cargo que não exerceu por ter sido nomeado ministro) para reaver imunidade.

Uma fonte do ministério das Finanças, que pediu para não ser identificada, admite que também as contas bancárias de Augusto Tomás possam ser congeladas.

Ambiente político mais agitado

O ambiente político no seio do MPLA começou a ficar mais agitado na semana passada, depois de terem sido vasculhadas as contas da gestão de Higino Carneiro enquanto este esteve à frente dos destinos da capital angolana. O antigo governador terá pedido apoio ao anterior Presidente, José Eduardo dos Santos e, depois, terá forçado a inclusão da discussão do seu caso na mais recente reunião da cúpula do MPLA.

A intenção seria, segundo alguns analistas, encorajar Eduardo dos Santos a colocar também em cima da mesa a problemática das investigações judiciais que estão a ser feitas aos seus filhos pela Procuradoria Geral da República e a denunciar o envolvimento em casos de corrupção de muitos dos atuais dirigentes apoiantes do Presidente João Lourenço.

“Disporá até de informação privilegiada, mas José Eduardo dos Santos arriscar-se-ia a ser rapidamente acusado de ter sido o principal mentor da corrupção em Angola, logo não tem moral para levantar um problema desta natureza”, disse ao Expresso o jurista Adalberto Faria.

Sentindo-se isolado e perante evidências comprometedoras, após ter sido recebido em audiência por João Lourenço Higino Carneiro acabaria por recuar e solicitar a retirada de tão polémico ponto da agenda de trabalho da liderança do MPLA.

Perante a delicadeza do tema, José Eduardo dos Santos terá preferido também abster-se de tomar qualquer iniciativa, e ainda acabou por assistir ao ruir do projeto de (mais) um negócio multimilionário envolvendo a empresa brasileira Odebrecht, que durante dezenas de anos foi considerada um dos braços financeiros da sua governação. O negócio em causa era sobre a manutenção das barragens de Laúca, Cambambe e Kapanda, num montante global de 900 milhões de dólares.

Neste quadro, José Eduardo dos Santos terá rejeitado a intenção da direção do seu partido de levar a cabo um vasto programa de homenagens à sua figura. “Não há clima político e psicológico para tais honrarias”, reconheceu um deputado do MPLA. Expresso

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