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FLEC pede aos EUA que defendam fim da repressão em Cabinda

FLEC pede aos EUA que defendam fim da repressão em Cabinda

O movimento independentista de Cabinda FLEC/FAC apelou hoje à embaixadora dos Estados Unidos em Angola, de visita ao enclave, para que interceda junto das autoridades de Luanda "para que terminem a repressão" na região.

"A FLEC-FAC [Frente de Libertação do Estado de Cabinda/Forças Armadas de Cabinda] apela à embaixadora Nina Maria Fite para interceder junto da Presidência e Governo angolano para que terminem com a repressão em Cabinda e privilegiem o diálogo como única via para pôr fim definitivo ao conflito em Cabinda", lê-se num comunicado, o segundo divulgado hoje pelo movimento independentista.

A embaixadora norte-americana em Luanda está a realizar desde segunda-feira uma visita a Cabinda, que termina hoje à tarde.

Citando a Declaração da Independência dos Estados Unidos - "todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes são vida, liberdade e busca da felicidade' -, a FLEC/FAC apela, na mesma nota, a Nina Fite para "interceder junto da Presidência e do Governo angolanos em favor do movimento".

O movimento manifesta ainda a sua "total disponibilidade" para um encontro com a diplomata, apontando como objetivo "reforçar os laços históricos de mútua cooperação que sempre estiveram presentes nas relações" entre as duas partes.

No comunicado, assinado pelo porta-voz do movimento, Jean-Claude Nzita, a direção da FLEC-FAC apela também à embaixadora norte-americana, em Angola desde fevereiro, para que se torne "promotora da paz em Cabinda, mediadora e testemunha da vontade de Cabinda e de Angola de porem um termo ao conflito no respeito da dignidade das duas nações".

Num comunicado divulgado horas antes, a FLEC/FAC lamentou que os Estados Unidos se coloquem "no mesmo lado de Angola" e evitem denunciar a repressão no território.

"Após a passagem da embaixadora dos Estados Unidos (em Luanda) por Cabinda, a FLEC/FAC apela ao Governo [do Presidente norte-americano, Donald] Trump, através da sua embaixadora Nina Maria Fite, a denunciar claramente as intervenções militares de Angola em Cabinda", escreve-se na nota.

Para a FLEC/FAC, os Estados Unidos têm "negligenciado há muito tempo" as "violações do direito internacional humanitário", os "abusos" aos direitos humanos, nomeadamente "a repressão selvagem, a intimidação, o sequestro e as prisões arbitrárias e os julgamentos sumários".

Desconhece-se se, no programa da visita de Nina Fite, está previsto um qualquer encontro com representantes do movimento independentista.

A FLEC luta pela independência de Cabinda, alegando que o enclave era um protetorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885, e não parte integrante do território angolano.

Emmanuel Nzita é presidente da FLEC/FAC e sucedeu a Nzita Tiago, líder histórico do movimento independentista Cabinda, que morreu a 03 de junho de 2016, aos 88 anos.

Criada em 1963, a organização independentista dividiu-se e multiplicou-se em diferentes fações, efémeras, com a FLEC/FAC a manter-se como o único movimento que mantém a resistência armada contra a administração de Luanda.

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