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Destruição da imagem de Eduardo dos Santos implicará abismo irreversível no seio do MPLA

Destruição da imagem de Eduardo dos Santos implicará abismo irreversível no seio do MPLA

Destruir implica desacreditar, denegrir, ignorar, negligenciar alguém, este é o verdadeiro sentido à que se aplica a frase: destruir a imagem de alguém. Divulgar factos com o objectivo de denegrir a reputação de alguém pode ser considerado um acto que visa destruir a sua imagem.

Por João Henrique Hungulo

A questão da destruição da imagem de José Eduardo dos Santos se metamorfoseou num assunto temático que tem vindo à tomar conta do ódio e do egoísmo de variadas personalidades vigentes no País. Ao tomar – se o assunto como problema essencial da satisfação dos interesses e desejos de perseguição político - ideológico, ódio e vingança, entramos já no mundo das questões sobre as consequências à esse problema tão dramático. No domínio em apreço há faces distintas: — os que colocam o problema e concluem com uma resposta negativa, querendo agitar as águas turvas, estes são a minoria dos entrevistados. Todavia, fazer da figura de José Eduardo dos Santos o depósito de todos os males exaltados no hoje, no ontem e no amanhã é quase que irrealidade, porque apesar dele cometer erros muitos outros também os cometeram, porém, passaram para o mundo do esquecimento; — por outro lado uns afirmam ser esse problema de responsabilidade conjunta e não encontrada numa única pessoa. Todavia, de um ou de outro lado, o problema implicará consequências no seio do MPLA, José Eduardo dos Santos pode ter cometido os seus erros, porém, fez realizar aquilo que muitos há seu turno jamais aceitariam realizar, faz lembrar um soldado em anonimato “Quando estávamos no Luena nas matas, o que vimos nem dá para falar aquilo era matar tudo e todos, de repente vimos que eles pararam, mas não percebemos nada, só começaram a dizer rendem – se e nós vamos vos aceitar vão ficar bem a guerra acabou Savimbi já morreu”, o acto humanista de José Eduardo dos Santos nesta esfera é único, incomparável, face ao que esteve prestes à acontecer, um genocídio bem claro e bem planificado viria tomar conta do destino do País, foi José Eduardo dos Santos quem travou dando ao General Armando da Cruz Neto orientações segundo as quais, ninguém poderia dar mais nenhum tiro, deveria proteger – se os homens vivos e negociar a paz, um facto que estava longe de vir a acontecer nas matas do Luena como o soldado anónimo que participou na última ofensiva militar que culminou com o suicídio de Jonas Malheiro Savimbi terá afirmado em entrevista à que tivemos acesso.

Alguns afirmam ser óbvia a destruição da imagem de José Eduardo dos Santos apontando a corrupção como o elemento chave para tal fenómeno, e para estes a corrupção é pior que a guerra, mas a corrupção não é nenhum fenómeno à dimensão da guerra, nem sequer próximo à esta, e nunca há - de comparar – se à este fenómeno, a triste e hedionda imagem da guerra, nada, mas nada mesmo, neste País, pode trazer – se à igualdade de tal natureza, a guerra foi a pior catástrofe que Angola já viveu, desta muitos tiveram de alimentar – se de farelo do milho, outros de barro colhido nas fendas das rochas, outros morreram a fome, outros ainda alimentavam – se sem sal, outros cozinhavam capim como o único alimento sem sal e sem óleo, ficaram completamente anémicos e morreram pela força das calamidades sociais e pelo ódio vomitado pelas armas, a guerra transformou cidades em ruínas, os que da guerra viveram sabem quais os males causados por esta grande calamidade, e nenhum deste ousa dizer a corrupção ser pior que a guerra, não se pode comparar a guerra à nada, mas nada mesmo.

Outros encontram justificação para a existência de uma política de negligência da imagem do ex – Presidente da República plasmada na perseguição aos que lhe são próximos, e, a desvalorização de tudo quanto este realizou para o bem da nação, explanando as suas reflexões a partir dessa sua certeza; e, ainda, os que além de estarem neste último horizonte, se agruparam sob a denominação do movimento anti – Dos Santos, mesmo sendo estes oriundos de uma organização política onde José Eduardo dos Santos foi durante vários anos o líder.

O último grupo e o mais vasto, apela à reconciliação da ala de João Lourenço com a ala de José Eduardo dos Santos, estes justificam não haver lógica em João Lourenço denegrir a imagem de José Eduardo dos Santos, uma vez que José Eduardo dos Santos é quem o indicou, de salientar que José Eduardo dos Santos forçou o Bureau Político à aceitar João Lourenço, e fez uma propaganda interna no seio do MPLA à relevar a honra e a dignidade de João Lourenço como o líder à substituir José Eduardo dos Santos, facto este que, seria impossível sem a acção de José Eduardo dos Santos, para este grupo, João Lourenço não está a transmitir nenhuma gratidão sequer no que tange aos esforços de José Eduardo dos Santos em impor – lhe como Presidente do MPLA. Estes apelam ser melhor via para o MPLA, poupar a imagem de José Eduardo dos Santos, como o homem da paz, líder único da reconciliação nacional, um verdadeiro capitão no alto mar que soube salvar o País do icebergue que esteve prestes à destruí – lo, e estes afirmam que se falir a reconciliação das duas alas, o MPLA sofrerá uma ruptura muito grande de duração interminável, que há - de transformar o partido numa babel de vozes contraditórias, e num lugar inóspito à subsistência de qualquer indivíduo, são esses que encorajam ao entendimento, a calma e a preservação da paz, esses apelam à tolerância, são contrários à guerra, são contrários a perseguição e aos demais dejectos gananciosos do desentendimento plasmado nos círculos sociais e políticos contemporâneos.

O autor do artigo após ter realizado uma análise aprofundada, em estudo mais recente, encontrou uma síntese das consequências implicadas na destruição da imagem de Dos Santos, génese do problema quando refere: «A ideia de fundamentar a afirmação de que existe um grande risco de abismo inevitável no seio do MPLA», cujo ritmo traduzir – se à numa insanidade política, que nem mesmo réis e príncipes aguentarão a trovoada de tal facto, a crise à ser imposta no seio do MPLA com a destruição da imagem de Dos Santos será letal, o caos infectará o MPLA desde a base até ao cimo, desde que se continue a denegrir José Eduardo dos Santos, e os seus grandes feitos, de exaltar que não existe nenhum santo, Dr António Agostinho Neto é o fundador da nação, o Pai da emancipação dos angolanos, mas com ele se sepultaram variados erros e crimes, que não se calam até então, desde logo, não existe patriota algum santo, ou vindo dos céus, sendo estes humanos é razão suficientemente capaz de torná – los vítimas dos erros que maculam a humanidade toda.

Perpassa entre o pensamento de alguns dos mais distintos intelectuais angolanos dos finais do século XX, afirmando que a destruição da imagem de Dos Santos é um sinal bastante grave para a vida do partido MPLA, Dos Santos representou durante longos anos um líder de dimensão nacional no seio do Partido, e, suas memórias ali estão, mesmo havendo cometido erros, o que Dos Santos realizou ninguém conseguirá apagar de um dia para a noite, e a destruição de sua imagem não tem nenhum pendor analítico, nem sequer racional, tem uma magnitude altamente emocional e pouco racional, cuja consequência se assentará na destruição da coesão e força interna do Partido. 

HAJA – LUZES SOBRE AS TREVAS!

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