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Ameaças visíveis à saúde pública diante de um deja vú

Ameaças visíveis à saúde pública diante de um deja vú

É curta a memória humana, mas os registos disponíveis nos arquivos da imprensa apontam para uma convergência de circunstâncias inquietantes no domínio da saúde pública.

Estamos em 2017 e parece que estamos diante de um deja vú, é como se 2016 ainda estivesse cá para nos assombrar. Os boletins meteorológicos diários do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) prevêem regularmente, desde Dezembro passado, em praticamente todas as regiões do país, períodos de aguaceiros ou chuva fraca a moderada, acompanhada, por vezes, de trovoada. O boletim de ontem apontava este quadro para as províncias de Luanda, Cabinda, Zaire, Uíge, Malanje, Bengo, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Lunda Sul e Lunda Norte. O INAMET previa, ainda para ontem, a possibilidade de ocorrência de aguaceiros, acompanhados, por vezes, de trovoada pela tarde e noite nas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico e aguaceiros ou chuva dispersa nas províncias da Huíla e Cuando Cubango. Em resumo, está a chover praticamente em todo o país.

As chuvas que caíram nos últimos dias em Luanda estão a destapar um problema recorrente, a saber, o mau saneameno básico, o alagamento dos amontoados de lixo, a intransitabilidade das ruas secundárias e terciárias. Nos bairros Rangel, Sapú 1, Estalagem, Palanca, Catinton, só para mencionar alguns, já não se consegue transitar em várias das suas ruas. E estamos a falar apenas de Luanda.

Este cenário, à luz do comunicado do Ministério da Saúde, que na sexta-feira passada dava conta da existência de um surto de cólera no município do Soyo, província do Zaíre, com 92 casos suspeitos e cinco óbitos, e da notificação de dois casos de zika no país, deve preocupar a todos, enquanto cidadãos, com vista à tomada das necessárias medidas de precaução e contenção.

O casamento do lixo com as águas paradas resulta numa prole mortífera, que são os mosquitos transmissores do paludismo, dengue, febre-amarela e zika. No ano passado todos vimos e vivenciámos as consequências desse casamento.

Pelos vistos, o Governo está preocupado com os desenvolvimentos indesejáveis que podem resultar de um descontrolo do estado de saúde pública. Uma delegação de alto nível, composta pelo ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, e o ministro das Finanças, Archer Mangueira, além do secretário de Estado das Águas, desloca-se hoje ao Soyo, para inteirar-se da situação no terreno, aconselhar a tomada de determinadas medidas e definir o tipo de apoio logístico, técnico e material a dar. 

Já se sabe que a epidemia eclodiu na parte insular do município do Soyo e está relacionada com o consumo de água imprópria e o deficiente saneamento do meio e o próprio Ministério da Saúde sublinha que as principais intervenções a fazer são  a vigilância epidemiológica activa, nomeadamente, o apoio laboratorial, o tratamento clínico de casos, o tratamento da água, a comunicação e mobilização social e o apoio logístico em medicamentos e outros meios.

De modo responsável, o MINSA intensificou as medidas de vigilância epidemiológica activa em todo o território nacional e aconselha a população em geral,  sobretudo as mulheres grávidas e em idade de procriação, a redobrar os esforços de protecção individual contra os mosquitos transmissores da doença. 

“As medidas gerais de preparação e resposta às epidemias estão em curso, para uma maior resiliência do nosso sistema de saúde e protecção da população em geral”, lê-se no comunicado do MINSA.

A campanha de vacinação contra a raiva, prevista para o período de 20 de Janeiro a 3 de Fevereiro, em Luanda, e que certamente vai estender-se a todas as outras províncias, é mais um indício de que as autoridades sanitárias preferem jogar pelo seguro, evitando as situações piores. 

Aliás, outra coisa não se poderia esperar das mesmas, sobretudo porque está em causa a preservação de vidas humanas.

Habituados, historicamente, a que a solução dos seus problemas venha de cima, os cidadãos angolanos estão cada vez mais confrontados com a necessidade de darem o primeiro passo na busca de soluções. E para evitar ou minimizar o risco de uma epidemia de paludismo, dengue, zika ou cólera, os conselhos básicos são estes: manter limpo o meio em que se vive, primar pela higiene corporal,  beber água potável,  usar mosquiteiros ou repelentes e evitar os focos de lixo e as águas paradas.

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