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AngoSant-1 está inoperante - Ministro

AngoSant-1 está inoperante - Ministro

O ministro das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação de Angola anunciou hoje, em Luanda, a construção em 18 meses, de um novo satélite nacional, o AngoSat-2, para substituir o primeiro, lançado em dezembro e que não cumpriu os requisitos.

"Da análise que as nossas equipas técnicas têm estado a realizar, com bastante intensidade, na sexta-feira, no sábado e no domingo, verificámos que o AngoSat-1, apesar de estar em órbita, não apresenta os parâmetros para os quais foi contratado", anunciou José Carvalho da Rocha.

O ministro angolano falava após a assinatura de uma adenda ao contrato de construção do satélite angolano com o consórcio russo formado pela S.P. Korolev e SC Energia, na presença de representantes do Governo de Moscovo e da agência espacial daquele país europeu.

"Diante desta situação há uma pergunta que se coloca: o que fazer? Naturalmente, as duas equipas (Angola e Rússia) cingiram-se ao contrato e o artigo 12.º prevê que nessas situações deve ser construído um outro satélite, neste caso o AngoSat-2, sem custos para a parte angolana", explicou José Carvalho da Rocha.

Acrescentou que, também ao abrigo do contrato inicial, impõe-se que durante o período de construção do AngoSat-2 "devem ser fornecidas as compensações para que os serviços [de comunicação] continuem a ser prestados".

"Há uma série de serviços que nós prevíamos assentar no AngoSat-1", recordou, acrescentando que a adenda ao contrato hoje assinada, prevendo a construção do AngoSat-2 e a disponibilização de largura de banda para comunicações.

"Vamos continuar a trabalhar arduamente, é um caminho que temos de fazer, não é uma reta linear, temos que estar preparados para que nestes percursos tenhamos picos altos e picos baixos. O mais importante é que os nossos interesses sejam bem defendidos, como até aqui, e possamos fazer, com o apoio russo, este caminho, que sabemos deve ser feito por várias gerações", sublinhou o ministro angolano.

Construído por aquele consórcio estatal russo, cujas negociações entre os dois países arrancaram em 2005, o Angosat-1 foi lançado em órbita, a partir do Cazaquistão, com recurso ao foguetão ucraniano Zenit-3SLB, envolvendo a Roscosmos, empresa espacial estatal da Rússia.

A construção arrancou a 19 de novembro de 2013 e o lançamento aconteceu a 26 de dezembro de 2017. Logo após, surgiram notícias sobre problemas com a infraestrutura, nomeadamente a perda de comunicação.

A construção do AngoSat-1, de acordo com dados do Ministério das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação, envolveu três contratos, o primeiro dos quais, no valor de 252 milhões de dólares (205 milhões de euros), para a construção e o lançamento do satélite. Neste caso, só a construção do satélite está avaliada em 120 milhões de dólares (98 milhões de euros).

Um outro contrato, no valor de 50 milhões de dólares (40 milhões de euros), envolveu a construção de todo o segmento terrestre e o Centro de Comando de Satélite, localizado na Funda, arredores de Luanda.

O terceiro contrato, de 25 milhões de dólares (20 milhões de euros), serviu para alugar a posição orbital onde o satélite permaneceria durante 18 anos.

Globalmente, o projeto representa um investimento superior a 320 milhões de dólares (262 milhões de euros) do Estado angolano e pretende reforçar as comunicações no país, fornecendo ainda serviços para parte do continente africano.

Histórico de acidentes

O anúncio, esta segunda-feira, em Luanda, da inoperância do primeiro satélite angolano Angosat-1 é apenas mais uma nota negra na longa lista mundial de ocorrências do género.

Reza a história que países mais desenvolvidos, como a Rússia, China, Índia e Estados Unidos, tiveram, em ocasiões distintas, várias ocorrências negativas com satélites.

Muitas dessas ocorrências resultaram no desaparecimento definitivo e inexplicado dos equipamentos lançados ao espaço, ou, simplesmente, na sua destruição total. 

Assim, em Dezembro de 1998, a NASA lançou uma sonda rumo a Marte, com o objectivo de estudar o clima e a atmosfera daquele planeta vizinho da Terra.

Infelizmente, a 23 de Setembro de 1999, a sonda chegou a Marte em órbita mais baixa do que o planificado, o que provocou o seu incêndio e destruição total, com prejuízo de 125 milhões à NASA.

Um caso muito mediatizado, foi o do Challenger, o segundo comboio espacial construído pela NASA,  concluído em Julho de 1982, que fez parte da sua frota de cinco comboios espaciais.

A sua primeira missão foi a STS-6, realizada entre 4 e 9 de Abril de 1983. Foi ao espaço apenas 10 vezes ao longo de três anos de operação, tornando-se no comboio espacial com menos missões realizadas.

Em 1986, o Challenger sofreu o primeiro acidente, no programa com comboios espaciais. No dia 28 de Janeiro desse ano, 73 segundos após o seu lançamento, iniciando a missão STS-51-L, a nave espacial explodiu em pleno ar, matando os seus sete tripulantes.

O acidente paralisou as missões dos comboios espaciais por meses, durante os quais foi realizada uma extensa investigação.

A conclusão a que chegou a investigação foi que uma anilha havia provocado a tragédia, devido ao facto de que algumas anilhas se expandiam e contraiam à medida em que a sua temperatura variava na mesma proporção da variação da sua temperatura.

A Coreia do Sul fez seu o primeiro lançamento de foguete, o Naro-1, em 2009. Os motores funcionaram bem, mas a carga, ao ser lançada em órbita, não se separou do foguete.

O desequilíbrio de peso arrastou o foguete para baixo, e a carga – um satélite avaliado em 400 milhões de dólares – desintegrou-se ao reentrar na atmosfera.

No caso específico da Federação Russa, o Express-AM4 russo não explodiu no lançamento, nem incendiou na atmosfera, mas o satélite de telecomunicações avançadas simplesmente desapareceu sem deixar rasto.

Lançado em Agosto de 2011, o satélite separou-se do veículo propulsor e então desapareceu dos sistemas de radar.

Seria posteriormente localizado muito distante da sua órbita original, pelo que não poderia cumprir o papel para o qual foi enviado ao espaço.

Em consequência disso, o artefacto foi, um ano depois, “intencionalmente destruído” e caiu no Oceano Pacífico.

No dia 29 de Março último, a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (Indian Space Research Organization ou ISRO) realizou o lançamento do GSAT-6A, o maior satélite de comunicações já fabricado pelo país.

Contudo, de acordo com informações do jornal Times of India, os pesquisadores perderam contacto com o equipamento na tarde do primeiro dia deste mês, apenas quatro minutos após uma manobra programada.

O satélite, que foi lançado através do foguete GSLV-FO8, era considerado uma importante conquista científica para o programa espacial da Índia, sendo capaz de colocá-lo lado a lado com as pesquisas desenvolvidas em países mais desenvolvidos.

Tudo indica que a perda de contacto resultou de algum problema eléctrico. Esta não é a primeira vez que a organização falha em colocar uma carga em órbita - em Setembro de 2017, o lançador PSLV-C39, que levava o satélite IIRNSS-IH ao espaço, apresentou problemas no seu escudo de calor e não conseguiu realizar o lançamento.

Nesse episódio, o dispositivo infelizmente acabou perdido para sempre.

Estes são apenas alguns exemplos que ilustram que a indústria espacial também envolve grandes riscos, razão pela qual os que nela apostam devem estar permanentemente preparados para o que der e vier.

Last modified onSegunda, 23 Abril 2018 12:39
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