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Brasil: Lula da Silva anuncia que vai respeitar ordem de prisão

Brasil: Lula da Silva anuncia que vai respeitar ordem de prisão

O ex-Presidente do Brasil Lula da Silva disse hoje que vai respeitar a ordem de prisão decretada pela justiça brasileira, que o condenou a 12 anos de cadeia por corrupção.

"Eu vou atender o mandado deles. (...) Eu vou cumprir o mandado e todos vocês daqui para frente vão virar Lula. A morte de um combatente não para a revolução", disse Lula da Silva, num discurso perante apoiantes seus em São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo, nas imediações do edifício do Sindicato dos Metalúrgicos, em que reafirmou a sua inocência.

Neste discurso, o ex-Presidente do Brasil não deu detalhes sobre quando e como irá entregar-se à polícia e, no final, voltou a entrar no edifício do sindicato, transportado em ombros pela multidão que o aplaudia.

Lula da Silva está em São Bernardo do Campo, no edifício do Sindicato dos Metalúrgicos, desde quinta-feira, após ter sido decretada a sua prisão, pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato.

O ex-Presidente brasileiro foi condenado em duas instâncias da Justiça num processo da Operação Lava Jato em que foi acusado de receber um apartamento de luxo da construtora OAS em troca de favorecer os contratos da empresa com a estatal brasileira Petrobras.

Lula da Silva falou após uma missa celebrada em homenagem à sua falecida esposa, Marisa Letícia Lula da Silva, nas imediações do edifício do Sindicato dos Metalúrgicos, onde iniciou a sua vida política.

O ex-Presidente brasileiro não falava publicamente desde quinta-feira à noite, quando o juiz federal Sérgio Moro decretou a sua detenção.

"Não pensem que eu sou contra a Lava Jato, não... a Lava Jato, se pegar bandido, tem que pegar bandido mesmo que roubou, e prender. Todos nós queremos isso", disse Lula da Silva, que desafiou Sérgio Moro a apresentar "alguma prova" dos crimes pelos quais condenou o ex-Presidente do Brasil.

"Eu não estou acima da justiça, se eu não acreditasse da justiça, eu não teria feito um partido político, teria proposto revolução, acredito na justiça, mas na Justiça justa, baseada nas acusações, na prova concreta", disse, acrescentando que "quem quiser votar com base na opinião pública largue a toga e vá ser candidato a deputado; escolha um partido político e vá ser candidato".

Lula segue distribuindo acusações em seu discurso para militantes petistas em São Bernardo. Muitas delas se dirigem à imprensa e à Justiça brasileira. “A antecipação da morte da Marisa foi obra da imprensa”, disse Lula. E atacou a rede Globo de televisão: “A Lava Jato e a Globo têm um sonho de consumo. Além de dar o golpe contra Dilma, querem que Lula não possa ser candidato. Outro sonho de consumo deles é ver Lula preso. Fico imaginando o ‘tesão’ da Revista Veja em colocar, na capa, minha foto preso. Vão ter orgasmo múltiplo”, disse Lula.

Em seu discurso para apoiadores, Lula ataca Deltan Dallagnol. Sem citar o nome do procurador, faz referência à confusa apresentação em PowerPoint em que Dallagnol tentou explicar as acusações contra Lula, sem muito sucesso. Seguindo a cartilha habitual dos líderes populistas, o ex-presidente também distribuiu ataques à imprensa: “Tenho mais de 70 horas de Jornal Nacional me triturando. Tenho mais de 70 capas de revistas me atacando”, disse. Os petistas presentes no local aplaudem.

Lula elogiou Eduardo Suplicy, que chegou a dizer que gostaria de acompanhar o ex-presidente na prisão. Também homenageou líderes sindicais e aliados como Paulo Boulos, do PSOL, e Manuela D’Ávila, do PCdoB. Mas falou pouco sobre Fernando Haddad, apontado como um possível candidato do PT à Presidência.

Luiz Inácio Lula da Silva, 72 anos, foi o 35.º Presidente do Brasil (2003-2011).

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