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O que esperar da economia angolana em 2017?

A este ritmo, o país poderá esgotar as reservas internacionais num ano" A este ritmo, o país poderá esgotar as reservas internacionais num ano"

Com uma dívida pública que corresponde a 78% do Produto Interno Bruto, uma taxa de inflação de 41% e um crescimento anual da população na ordem dos 3,2%, as previsões para a economia nacional não são animadoras, antecipando-se mesmo a possibilidade de se esgotarem as reservas internacionais.

Entre a crise que se agrava desde 2014 - e tem na escassez de divisas um dos efeitos mais visíveis - e a saída iminente de José Eduardo dos Santos da presidência da República - com a anunciada ascensão de João Lourenço -, o que o novo ano reserva para Angola?

A reflexão lê-se no jornal norte-americano Wall Street Journal, num artigo intitulado "Its Economy in Crisis, Angola Readies for a New Leader" (Com a economia em crise, Angola prepara-se para um novo líder).

A partir de uma descrição de Talatona como reflexo das adversidades económicas que o país atravessa - onde "dezenas de condomínios ganham pó, na sua maioria vazios" -, a publicação traça um retrato sombrio de Angola.

Além da recorrente falta de electricidade e de sistemas de saneamento básico, o Wall Street Journal expõe a luta diária dos cidadãos para sobreviver a uma taxa de inflação de 41% e "rupturas crónicas de produtos básicos, como açúcar, óleo alimentar e medicamentos".

Lembrando que o Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipou que 2016 seria o pior ano de Angola desde o fim da guerra, em 2002 - traduzido numa taxa de crescimento da economia de 0% -, a publicação norte-americana acrescenta que os indicadores tornam-se ainda mais inquietantes tendo em conta a taxa de crescimento anual da população, na ordem dos 3,2%.

"Ao mesmo tempo, a dívida pública saltou de 41%, em 2014, para 78% do Produto Interno Bruto, em 2016", escreve o Wall Street Journal, citando estimativas do FMI.

Para agravar a conjuntura, aponta o jornal norte-americano, pouco se sabe sobre as condições dos empréstimos contraídos pelo Governo, circunstância que torna difícil prever a capacidade estatal para saldar as dívidas.

A estes dados junta-se o estado das reservas internacionais: desde que o Executivo anunciou que não iria solicitar a ajuda do FMI, o Banco Nacional de Angola já usou 18% das reservas internacionais, nomeadamente para garantir importações.

"A este ritmo, o país poderá esgotar as reservas internacionais num ano", avisa Stuart Culverhouse, responsável de pesquisa da empresa de investimentos Exotix Partners.

NJ

 

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