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Câmbio flutuante não é adequado à economia angolana

Câmbio flutuante não é adequado à economia angolana

Pouco mais de um mês após o arranque dos leilões de divisas em câmbio flutuante, especialistas ouvidos pelo Mercado alertam para os riscos da implementação deste sistema.

O primeiro leilão, recorde-se, ocorreu em 9 de Janeiro, mas este sistema, defendem, é mais adequado a economias mais desenvolvidas e estáveis do que a angolana, onde há carência de divisas e onde quase tudo é importado, incluindo bens de primeira necessidade. Para o economista Fragoso Manuel de Sousa, o câmbio flutuante poderá conduzir a uma “valorização excessiva” das principais divisas no mercado cambial, com impacto na redução das importações de bens e serviços, assim como a uma diminuição das exportações, dado que, para a produção de bens vendáveis ao exterior, é preciso importar matérias-primas.

De acordo com contas do Mercado com base na cotação do kwanza referida na página web do Banco Nacional de Angola (BNA), desde o início do câmbio flutuante, até esta terça-feira (20 de Fevereiro), o kwanza depreciou cerca de 39,7%, face ao euro e 25,5% em relação ao dólar norte-americano “Uma moeda vale aquilo que os compradores estão dispostos a pagar por ela”, explica Fragoso de Sousa. 
 
“Este fenómeno é determinado pela oferta e procura, que são definidos pelo investimento, taxas de importação e exportação, assim como um conjunto de outros factores com impacto na economia”, acrescenta o economista, que alerta que o novo modelo cambial pode, por via dos efeitos potenciais, agravar problemas já existentes na economia, como a “inflação e o desemprego”. Ainda assim, admite, o modelo pode ter como vantagem o facto de permitir “maior previsibilidade ao mercado financeiro” em termos de cotação. “A banda pode ser mexida de acordo com a situação económica interna ou externa, segundo as necessidades do mercado cambial, que vive contudo sob fortes restrições de divisas, face à redução das receitas petrolíferas, motivada pela quebra da cotação mundial”, explica.
 

Sistema é “insustentável”

Na perspectiva de Lopes Paulo, economista e docente universitário, o regime da taxa de câmbio flutuante, por oposição à taxa deliberada de forma administrativa, é “insustentável”, porque o BNA não tem reservas de divisas suficientes para fazer os ajustes cambiais. A insustentabilidade do sistema cambial, avança, reside no facto de a economia nacional ser improdutiva e fortemente dependente de importações, o que “pressiona as reservas” do banco central. “Os agentes económicos estarão com dificuldades em obter divisas e poderão recorrer à especulação”, alerta. 

 Américo Castro, também economista, lembra que, agora, a cotação das divisas é definida diariamente, na interacção entre os agentes económicos. “O câmbio flutuante é muito volátil, e nem sequer os fundamentos macroeconómicos conseguem esclarecer as causas da volatilidade, sobretudo no curto prazo. Tal facto pode aumentar o risco da taxa de câmbio”, avisa.
 
O actual regime cambial é administrado dentro de uma banda compatível com a meta de inflação e o nível das reservas internacionais líquidas (RIL) que assegure, pelo menos, seis meses de importação, indica o Executivo, no Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM). Mas, para os empresários, persiste o desajustamento entre a procura e oferta de divisas no mercado cambial. José do Amaral, importador de bens de consumo, garante ao Mercado que “tem sido difícil” conseguir dólares ou euros nos bancos comerciais. “Há muita negociata no mercado”, lamenta. 
 
“As divisas para importação são compradas no mercado informal, onde 100 USD custam 50 mil Kz. Importar bens de primeira necessidade é um acto de coragem e sacrifício, pelas dificuldades que experimentamos”, afirmou José do Amaral. Desde o passado dia 9 de Janeiro até dia 15 de Fevereiro, o BNA vendeu cerce de 1,3 mil milhões EUR e 225,6 milhões USD. Mercado
Last modified onQuarta, 28 Fevereiro 2018 11:43
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