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Bancos comerciais angolanos vão definir taxas de câmbio em leilão

Bancos comerciais angolanos vão definir taxas de câmbio em leilão

Os valores indicativos propostos pelos bancos comerciais angolanos vão passar a definir o novo regime flutuante cambial no país, anunciou hoje o Banco Nacional de Angola (BNA), que já estabeleceu o intervalo de cotação neste modelo.

Em reunião extraordinária do Comité de Política Monetária (CPM) do BNA, realizada hoje em Luanda, aquele órgão definiu "os limites mínimo e máximo da banda cambial" deste novo modelo, refere o comunicado final da sessão, a que a Lusa teve acesso, mas sem concretizar os valores.

Desde o primeiro trimestre de 2016 que a taxa de câmbio oficial definida pelo BNA está fixa nos 166 kwanzas por cada dólar norte-americano e nos 186 kwanzas por cada euro.

Contudo, face à falta de divisas aos balcões dos bancos comerciais, o mercado de rua, que para muitos constitui a única alternativa para aceder a moeda estrangeira, desde as eleições gerais de agosto que antecipa uma desvalorização oficial da moeda angolana, transacionando atualmente cada dólar a 430 kwanzas e cada euro a 510 kwanzas.

No comunicado de hoje, o CPM explica que o regime cambial que vigorou até à presente data consistia numa taxa de câmbio administrada, determinada pelo BNA, "independentemente da relação entre a procura e a oferta".

"Doravante, o Banco Nacional de Angola adota um regime cambial caraterizado pela flutuação da taxa de câmbio dentro de um intervalo, com um limite máximo e um limite mínimo. Esse intervalo é denominado de banda cambial", acrescenta o comunicado final da reunião extraordinária do CPM.

Embora sem concretizar datas ou valores dos limites à taxa de câmbio flutuante, o BNA explica que passará a organizar leilões de compra e venda de moeda estrangeira, nos quais os participantes, caso dos bancos comerciais, indicarão o preço (taxa de câmbio) para a compra ou venda de moeda estrangeira.

"A média ponderada dessas transações será publicada no portal institucional do BNA, como a taxa de câmbio de referência. Ou seja, doravante, a taxa de câmbio passa a ser determinada pelas transações que ocorrem, em leilão, no mercado primário", explica ainda.

Após fazer uma "análise do comportamento dos fundamentos macroeconómicos da economia angolana" e da "tendência decrescente das reservas internacionais", além de ter "presente o atual desequilíbrio entre a oferta e procura de divisas", o CPM "definiu limites máximo e mínimo da banda cambial".

"O Banco Nacional de Angola fará a gestão do mercado cambial de modo a garantir a sustentabilidade das contas externas e a estabilidade dos preços".

O governador do banco central angolano disse na quarta-feira que a moeda angolana não vai ser desvalorizada, por ação do Governo, mas deverá sofrer uma depreciação face a outras moedas, consequência do novo regime cambial, que passa da taxa fixa para flutuante.

A informação foi avançada por José Lima Massano, em conferência de imprensa realizada em Luanda, organizada pela equipa económica do Governo de Angola e liderada pelo ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior.

José Lima Massano anunciou que Angola vai adotar, a partir do primeiro trimestre deste ano, uma nova política cambial, passando do câmbio fixo para o flutuante, permitindo que seja o mercado a criar o equilíbrio da taxa de câmbio.

Segundo o governador do Banco Nacional de Angola, será feita uma alteração ao regime cambial de Angola, deixado de ter um câmbio fixo, para ser adotado um regime de câmbio flutuante.

"Quando falamos em desvalorização regra geral referimo-nos a uma intervenção administrativa da alteração da taxa de câmbio, forçando a perda do poder de compra da nossa moeda em relação a outras moedas, o que estamos a dizer é que não vamos ter desvalorização, mas deveremos ter uma depreciação", reiterou o responsável.

Acrescentou que quem vai ditar as novas regras é o mercado, entendendo que a probabilidade de haver uma depreciação "é grande", devido à escassez de moeda, o grande diferencial de mercado.

"Nós vamos ter uma depreciação, mas que vai ser ditada pelo mercado. Vamos deixar que seja o mercado a encontrar esse novo equilíbrio", disse.

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