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Economia angolana está passar por fase de estabilização - BNA

Economia angolana está passar por fase de estabilização - BNA

Angola atravessa uma conjuntura económica desafiante, decorrente da queda do preço do petróleo no mercado internacional, mas a sua economia está a passar por uma fase de estabilização, afirmou hoje, terça-feira, em Benguela, o vice-governador do Banco Nacional de Angola, Manuel António Tiago Dias.

Falando na cerimónia de abertura do X encontro de Estatística dos Bancos Centrais dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), o responsável admitiu que, devido a essa queda, desde meados de 2014, Angola atravessa uma situação difícil, contudo, dado a um conjunto de políticas e medidas adoptadas pelo Executivo, o país está a viver uma fase de estabilização.

Entre essas medidas, Tiago Dias apontou o processo de reformas económicas em curso desde 2014, constantes do Plano de Estabilização Macroeconómica e do Plano de Desenvolvimento Nacional do Executivo, que corresponde ao período 2017/2022.

Destacou ainda algumas acções para o aumento da competitividade da produção interna, diversificação das exportações e substituição das importações, consolidação fiscal, criação de condições para um melhor ambiente de negócios e atracção de investimento estrangeiro e, sobretudo, a política de flexibilização da taxa de câmbio (ajustamentos do mercado Cambial).

Por outro lado, o vice-governador disse que depois do BNA ter acolhido, pela primeira vez, em 2005, o 3º encontro dos Bancos Centrais da CPLP, constitui regozijo albergar o X, desta feita com mais três novos membros, nomeadamente Brasil, Macau e Timor Leste, que estiveram ausentes na altura.

Reconheceu que, nos últimos anos, a estatística teve maior visibilidade e utilidade, face às constantes crises económicas que eclodiram no mundo, desde 2008, dando como exemplo a melhoria substancial da literacia estatística da população angolana, daí que a consulta e os debates sobre os dados estatísticos publicados pelos órgãos produtores de estatísticas oficiais aumentaram consideravelmente.

“Deste modo, os bancos centrais, na qualidade de produtores de estatísticas oficiais, são desafiados a melhorar cada vez mais a qualidade das estatísticas por si produzidas, tendo em conta o papel crucial que desempenham como instrumentos eficientes de coordenação e suporte à tomada de decisões, quer dos órgãos públicos, das empresas e das famílias”, disse.

O responsável considerou que o tema central do encontro, “O papel das estatísticas na prevenção de riscos e vulnerabilidade do sistema financeiro”, mostra o comprometimento das instituições do sector em antecipar novas crises sistémicas, recorrendo-se às informações estatísticas para adopção de medidas de política mais assertivas.

O BNA, assegurou, tem dado primazia a sua função estatística, procurando dotar a área afim de quadros qualificados e competentes, sem desprimor dos outros sectores.

Com efeito, disse, o plano estratégico da instituição 2017/2022 prevê uma série de acções que visam a melhoria da estatística, segundo as boas práticas internacionais, com destaque para a criação de uma central de balanços, compilação das estatísticas das outras sociedades financeiras, compilação da conta nacional financeira, automatização dos procedimentos estatísticos, redução dos prazos de divulgação das estatísticas, com realce à publicação da balança de pagamento numa base trimestral.

A compilação das estatísticas das outras sociedades financeiras, compilação da conta nacional financeira, a centralização das informações estatísticas e a criação de um canal único para sua difusão, são ainda outras acções constantes do plano estratégico do Banco Nacional de Angola para o referido período.

O vice-governador do Banco Nacional de Angola referiu que, além das sessões previstas, o encontro vai também fazer um balanço das principais transformações ocorridas na função estatística dos bancos centrais da CPLP, analisar os diferentes indicadores coincidentes de acompanhamento da actividade económica utilizados por cada um dos bancos centrais, as experiências individuais na captação e inserção das transacções informais nas estatísticas produzidas, bem como o papel destas na prevenção de riscos.

Afirmou que todas as sessões têm como objectivo a troca de experiências entre os diferentes bancos participantes, no domínio da actividade estatística, daí o elevado grau de expectativas sobre o êxito dos resultados que se esperam.

Após o discurso de abertura do vice-governador, seguiu-se uma mesa redonda, na forma de vídeo-conferência, subordinada ao tema “Balanço das principais transformações ocorridas na função estatística dos Bancos Centrais”, com apresentação de João Cadete (do Banco Central Português), em que foram reservados 10 minutos para cada chefe de delegação.

Serão ainda abordados: “Relevância dos indicadores antecedentes no acompanhamento da economia”, “Avaliação da conjuntura macroeconómica com base nos indicadores quantitativos de tendência da actividade económica”, “Índice de confiança dos consumidores em Portugal – descrição e análise empírica”, “Indicador coincidente da atcividade económica de São Tomé e Príncipe”, dentre outros.

Participam do X encontro dos Bancos Centrais da CPLP, Angola, Brasil, Cabo-Verde, Moçambique, Macau, Timor Leste, Portugal e, São Tomé e Príncipe.

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