Menu
RSS

Preço de divisas nas ruas de Luanda completa período de maior estabilidade desde a crise

Preço de divisas nas ruas de Luanda completa período de maior estabilidade desde a crise

O preço para comprar divisas nas ruas de Luanda completou esta semana os dois meses sem alterações, o período de maior estabilidade desde a crise cambial no país, mantendo-se em sentido contrário à contínua depreciação oficial do kwanza angolano.

Numa ronda feita hoje por alguns dos bairros da capital angolana, as 'kinguilas', como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas na rua, transacionam de uma nota  de cem dólares por entre 41.500 a 42.000 kwanzas.

Trata-se de uma cotação, do mercado informal, que se mantém inalterada desde meados de fevereiro e contrasta com os 47.500 kwanzas do final de janeiro, o mesmo acontecendo com a moeda europeia.

No pico da crise cambial em Angola, desde finais de 2014, cada nota de dólar chegou a ser transacionada na rua a mais de 600 kwanzas, quase quatro vezes acima da taxa de câmbio oficial.

Na mesma ronda realizada hoje, a Lusa encontrou o euro a ser transacionado na rua, igualmente em bairros como Maculusso, Mutamba ou São Paulo, a entre 510 a 520 kwanzas (1,90 euros), também inalterado há dois meses, contrastado com os 580 kwanzas (2,15 euros) do final de janeiro.

A falta de kwanzas no mercado é a explicação apontada por todas as 'kinguilas' para a manutenção prolongada da cotação do dólar e do euro, resultando na prática, devido à retirada de moeda de circulação física, numa valorização da moeda angolana.

Na prática, e apesar de continuar escassa a quantidade de divisas nos bancos, o preço no mercado paralelo não dispara, como aconteceu em anos anteriores.

A retirada de dinheiro de circulação física tem sido uma medida adotada pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para conter a escalada da cotação do euro e do dólar no mercado informal, alternativo, embora ilegal e a preços especulativos, para angolanos e expatriados que não conseguem comprar divisas aos balcões dos bancos, face à crise cambial.

Durante o mês de janeiro, no mercado de rua, negócio que a polícia angolana tenta combater, o custo da nota de dólar tinha aumentado quase 20% e a de euro 15%, segundo os cálculos feitos pela Lusa, tendência que desde o início de fevereiro está a ser invertida.

Já na cotação oficial, o kwanza angolano já acumulou uma perda de quase 32% nos três meses do regime flutuante cambial, em que as taxas de câmbio são formadas nos leilões de divisas.

Esta depreciação, que foi mais acentuada em janeiro e que desde fevereiro tem rondado um ritmo de quase 1% por semana, foi confirmada pela Lusa com cálculos feitos a partir das taxas cambiais oficiais do BNA, entre 06 de janeiro e 25 de abril.

Hoje, a taxa de câmbio média do euro ronda os 270 kwanzas, quando a 01 de janeiro era de 185,40 kwanzas. Já o dólar norte-americano é hoje cotado à taxa média de 219 kwanzas, quando no início de janeiro valia 165,92 kwanzas, uma depreciação, neste caso, de 24,5%.

No modelo cambial anterior, até 09 de janeiro, a cotação era fixada diretamente pelo BNA, com o kwanza indexado ao dólar norte-americano, tendo passado desde então a ser a moeda europeia a referência.

Last modified onQuarta, 25 Abril 2018 14:35
.
. =
.
.
back to top

Recomendamos